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Canadian International Development Agency (CIDA)
- Agência Brasileira de Cooperação (ABC) |
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Contribuição ao XII Congresso
Brasileiro de Água Subterrâneas
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO PROJETO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS DO NORDESTE DO
BRASIL E SUAS REPERCUSSÕES NA COMUNIDADE RURAL DE MIRANDAS, CARAÚBAS/RN. Roberta Borges de Medeiros Falcão (1); Marco Antônio Calazans Duarte (2); Tomas Edson
Pereira de Araújo (3); Sônia Maria de Araújo Bezerra (4) (1): Av. Rui Barbosa, 1110 bloco B
apto 101 Lagoa Nova Natal/RN
CEP: 59060-300 e-mail: regff@digizap.com.br (2): Rua Pau Brasil, 457 apto 601 Parque Pitimbu, Parnamirim CEP:
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Seca, Natal/RN Brasil (4):
Av. Rui Barbosa, 1264 Lagoa Nova CEP: 59.056-300 e-mail: smabez@bol.com.br RESUMO: A gestão descentralizada dos recursos hídricos necessita de um contínuo processo educativo objetivando a participação ativa e comprometida dos cidadãos nas mais diversas esferas de decisão. Este trabalho apresenta a experiência em Educação Ambiental em uma comunidade rural do município de Caraúbas, estado do Rio Grande do Norte, recentemente abastecida por água de boa qualidade resultado do Projeto Água Subterrânea no Nordeste do Brasil (PROASNE). As ações educativas foram desenvolvidas na comunidade e nas escolas da localidade buscando sensibilizar a população envolvida sobre a questão da água no semi-árido brasileiro, bem como das problemáticas ambientais da comunidade de um modo geral. ABSTRACT: The decentralized management of water resources
requires continuous education of the citizens to ensure their active and
committed participation at the various levels of the decision making process.
This paper presents the experience acquired from an environmental education
project in a rural community of the municipality of Caraúbas, in the state of
Rio Grande do Norte, which was recently supplied with good quality water as a
result of the activities of the Northeastern Brazil Groundwater Project
(PROASNE). The educational activities were carried out in the community and
at the local schools to sensitize the population concerned with water-related
issues and environmental problems affecting this community of the semi-arid
region of northeast Brazil." PALAVRAS-CHAVE: Educação ambiental, semi-árido e águas subterrâneas. INTRODUÇÃO
O semi-árido do
Nordeste brasileiro possui aproximadamente 28 milhões de habitantes,
correspondendo a 18% da população do Brasil, em uma vasta área, que
corresponde a 13,5% do território brasileiro e 74,3% da área do Nordeste.
Esta região é considerada uma das mais pobres do planeta. A maior parte vive
em estado de miséria absoluta , ou seja, grande parte da sua população não
tem rendimento suficiente para manter sua simples energia física. A sua sobrevivência
dá-se as custas de uma agricultura insipiente, de um extrativismo vegetal
pobre, e de uma pecuária irrisória. Existe a pecuária bovina e a caprina,
sendo esta mais importante que a primeira. O sertão nordestino
apresenta clima seco e quente, pouca chuva (as precipitações ficam em torno
de 500 mm) e são mal distribuídas durante o ano. A região do semi-árido
brasileiro é, todavia, diversificado
nos seus recursos naturais e complexo na convivência do homem com o seu
clima. O regime hídrico irregular se constitui num sério fator limitante para
a produção agropecuária, todavia, existem áreas com boa disponibilidade de
águas superficiais e subterrâneas, bem como recursos de solo apropriados para
desenvolver agricultura irrigada, em condições competitivas com outros
semi-áridos do mundo. No aspecto geológico, o
Nordeste é constituído por dois tipos estruturais: o embasamento cristalino,
representado por 70% da região semi-árida, e as bacias sedimentares. No
embasamento cristalino, os solos geralmente são rasos, apresentando baixa
capacidade de infiltração, alto escorrimento superficial e reduzida drenagem
natural. Nas bacias
sedimentares, os solos geralmente são profundos, com elevada capacidade de
infiltração e boa drenagem natural. Estas características possibilitam a
existência de um grande suprimento de água de boa qualidade no lençol freático
que, pela sua profundidade, está totalmente protegido da evaporação. O fato das águas subterrâneas constituírem uma potencial
reserva no que se refere a quantidade
e qualidade na referida bacia, torna-se ainda mais necessário a
conscientização dos moradores em utilizar novos conhecimentos e recursos para
que consigam obter sua própria auto-suficiência. A gestão dos recursos
hídricos possui, desta maneira, diversas interfaces com a educação ambiental
onde podemos citar a construção da cidadania e seu pleno exercício. Neste
sentido, devemos incluir todos os atores presentes ou interessados no uso dos
recursos hídricos atribuindo responsabilidades a governos, aos usuários e a
sociedade civil organizada para que
tomem parte nas discussões e decisões no planejamento e na gestão
hídrica. PROJETO DE ÁGUAS SUBTERRÂNEAS PARA
O NORDESTE DO BRASIL (PROASNE) O Projeto de Águas
Subterrâneas para o Nordeste do Brasil
tem como parceiros oficiais a Canadian International Developement
Agency (CIDA), Agência Brasileira de Cooperação (ABC), a Companhia de
Pesquisas e Recursos Minerais (CPRM), a Associação Brasileira de Águas
Subterrâneas (ABAS), a Comunidade Solidária.
Como parceiros informais tem a Companhia de águas e Esgotos do Rio
Grande do Norte, Secretaria de Recursos Hídricos (SERHID), Universidade
Federal do Rio Grande do Norte, entre outras. O projeto envolve dois
principais aspectos: o geológico e o social em três estados do nordeste do
Brasil: Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. O Rio Grande do Norte possui duas áreas pilotos: um na bacia
sedimentar e outro no solo cristalino. O projeto que estamos inseridos faz
parte da formação Açu aflorante na borda sul da bacia potiguar. No aspecto
geológico, o projeto envolve uma pesquisa numa área sedimentar com
aproximadamente 90 Km de extensão por
15 Km de largura e abrange aspecto geológicos, hidrogeológicos, geofísicos e
hidroquímicos. Os objetivos finais do
estudo é de estabelecer um modelo hidrogeológico conceitual e de fluxo
subterrâneo, uma conhecimento melhor das características físico-químicas da
água, além de otimizar as condições de exploração de poços existentes e
futuros, através de uma simulação de exploração do Aqüífero, proporcionando
com isto uma extração sustentável dos
recursos hídricos subterrâneos. Em relação ao aspecto
social, o projeto tem como finalidade a melhoria da qualidade de vida dos
habitantes do Nordeste do Brasil afetados pela seca, através do
desenvolvimento dos recursos de águas subterrâneas da região, proporcionando
um acréscimo durável no fornecimento regular de água de boa qualidade. O PROJETO
SOCIO-AMBIENTAL
A Companhia de Águas e
Esgotos do Rio Grande do Norte (CAERN) elaborou um projeto sócio-ambiental
que teve como objetivo geral
contribuir na elevação da qualidade de vida da população criando
condições para a preservação e o uso racional da água. A participação comunitária possibilita uma gestão de
recursos hídricos descentralizada, reduzindo consideravelmente o
descontentamento, tendo em vista que os interessados tiveram a oportunidade
de decisão. Um importante critério para
o processo de participação é a aquisição da informação ou seja, a
oportunidade da população em coletar e armazenar dados importantes para que sirvam como instrumento de
tomada de decisão nas ações necessárias. A população precisa, assim, ser
esclarecida quanto as maneiras de utilização dos recursos hídricos,
valorizando e protegendo os equipamentos e sistemas existentes,
estabelecendo, assim, uma nova
consciência socioambiental. Norteamos, ainda, nossas ações
pelos princípios de Educação Ambiental : respeito à cultura local, a
universidade da natureza humana e a busca da articulação das ações com
múltiplos parceiros. Em um processo participativo, a Educação Ambiental
possibilita para o indivíduo e a coletividade a obtenção de uma consciência dos valores sociais e éticos e
que resulta no desenvolvimento de
conhecimentos e atividades voltados para a busca de novos estilos de
utilização dos recursos naturais. Teve como público-alvo toda
a população da comunidade de Mirandas incluindo os representantes legítimos
da comunidade e lideranças informais, associações de moradores, igrejas e
escolas. Todavia, em nossas atividades demos um destaque especial à mulher por
considerarmos o segmento feminino na região do semi-árido o mais vulnerável
da população. A
metodologia contou com três principais momentos, que apesar de não serem
estanques serviram didaticamente para balizar nossas atividades: Investigação
Participativa, Ação e Monitoramento/Acompanhamento. A ÁGUA DA
COMUNIDADE DE MIRANDAS E SEUS
ASPECTOS AMBIENTAIS
Mirandas está localizada no município de Caraúbas, na
região do Apodi, a 296 Km de distância da capital Natal, estado do Rio Grande
do Norte. Há uma elevada densidade demográfica com aproximadamente 226
famílias na comunidade. A população de Mirandas é muito pobre considerando o
tipo de habitação predominantemente
feito de taipa (madeira e barro).As águas subterrâneas são a principal fonte de suprimento hídrico da
população de Mirandas responsável por 100% do abastecimento da comunidade. Essas
águas subterrâneas são de excelente qualidade em suas condições naturais, sem
restrições ao uso humano. São de fácil captação; dispensam tratamento, e,
portanto, são de baixo custo. Constituem a única alternativa viável para o
suprimento hídrico da população. O sistema
aqüífero Açu é a principal fonte de abastecimento de água das cidades de
Apodi, Caraúbas, Upanema e Severiano Melo além de muitos distritos, mediante o
programa de adutoras. Todavia, possui riscos de degradação e contaminação das
águas subterrâneas, tais como: Efluentes
domésticos
É reconhecido, que os sistemas de
saneamento com disposição local dos efluentes podem contaminar as águas subterrâneas
por microorganismos patogênicos e produtos da biodegradação dos excrementos
humanos como são os nitratos. As fezes muitas vezes são lançadas a “céu
aberto” (ver Tabela 5).
Tabela 5 – Destino das Fezes – Distrito de Mirandas
(Caraúbas) no Rio Grande do Norte – 2001 Fonte: Trilhas Potiguares
Fonte: Tabela 5 Disposição no solo de resíduos sólidos
O lixo é um
grave problema ambiental para a população que utiliza a via de acesso da
comunidade como destino a céu aberto e a exposição de animais mortos
dificultando o acesso de transportes e gerando uma série de problemas de
saúde (o calazar é apontado como um dos maiores problemas), além da questão
estética, mau cheiro e, principalmente
agressão visível ao meio ambiente. O lixo
depositado na superfície do solo estão sujeitos lixiviação pela percolação
das águas derivadas das chuvas. Neste processo que envolve a decomposição
biológica dos resíduos, é produzido
um líquido de coloração escura conhecido como chorume, o qual pode se
infiltrar no terreno e atingir as águas subterrâneas, contaminando-as. O chorume,
contém em geral, um grande número de contaminantes inorgânicos que inclui
compostos de nitrogênio e metais pesados, e, também, contaminantes orgânicos.
Segundo a pesquisa 52% tem o costume de queimar o lixo. A região não possui
Coleta Pública do Lixo fazendo com que as pessoas também joguem o lixo a “céu
aberto”. Todos os costumes causam impactos ambientais. De acordo com
a Organização Mundial de saúde, teores de nitrato (NO3-)
acima de 45 mg/l em água potável são considerados como capazes de produzir
danos à saúde humana, incluindo metemoglobinemia em crianças e câncer
gástrico. A EDUCAÇÃO
AMBIENTAL NA COMUNIDADE
A Educação Ambiental tem
sido colocada como importante ferramenta para o processo de mudança de
comportamento do homem como também eficaz no despertar de uma evolução
racional. A compreensão da questão ambiental deve romper as visões
particularizadas e fragmentadas da realidade que, ao invés de elucidar,
mascaram as causas da temática ambiental e levam a adoção de soluções
equivocadas ao meio ambiente. A
educação ambiental realiza-se através de dois principais tipos de processos
que podemos chamar de Educação Ambiental Formal e Educação Ambiental não Formal. Por Educação Ambiental Formal
compreendemos aquela que é realizada no âmbito da rede de ensino regular,
através da atuação curricular. Tanto o planejamento quanto a execução de
currículos tem como objetivo a
interdisciplinariedade, envolvendo atividades de ensino regular,
extra-classe, núcleos de estudos ambientais onde participam professores,
estudantes e funcionários da comunidade escolar. A
Educação Ambiental Não Formal, entretanto, opera através de programas
direcionados para os aspectos bem definidos da realidade social e ambiental
da localidade. Usa meios multivariados. Tem a função de informar e formar.
Desta maneira, atua sobre e com a comunidade desenvolvendo ações na área da
educação, comunicação, extensão e cultura. Tem ainda propósitos informativos
para o esclarecimento e orientação de questões de ordem tecnológica, social e
ambiental. Desta maneira, a população
envolvida necessita ter uma visão crítica da realidade da qual está inserida,
identificando as causas e conseqüências dos problemas ambientais,
estabelecendo um elo entre os fatores sócio-econômicos, políticos e culturais
tanto à nível local, como à nível regional, nacional e transnacional. O compromisso da Educação
Ambiental é com o novo projeto
civilizatório, com a ética da promoção da vida, exigindo reflexões e ações a
respeito das desigualdades, da pobreza, da exclusão da grande maioria ao
acesso a bens e serviços, e das práticas e das relações de consumo. Uma das
principais finalidades da educação ambiental viabilizar ações de
transformação da sociedade embasadas em princípios de justiça, equidade,
democracia, e sustentabilidade (Júnior, 2000). A educação pode ser
compreendida como uma estratégia de caráter social que possibilita aos
indivíduos exercitar a criatividade e a desenvolverem suas capacidades,
preparando-os ao pleno exercício da solidariedade na realização de ações
comuns (Júnior, 2000). Diagnóstico Participativo e
Pesquisa sócio-econômica-ambiental
Na elaboração de projetos
interventivos em Educação Ambiental deverá levar em conta dois principais
pólos: a pesquisa e/ou diagnóstico que produz o conhecimento necessário sobre
um problema específico e a intervenção educacional que se embasa nos
levantamentos da primeira fase, possibilitando refletir sobre as necessidades
apontadas, adequando a metodologia apropriadas ao contexto social. Estes
momentos, entretanto, não são estanques. O diálogo estabelecido entre
pesquisa e intervenção ocorre em todo tempo. O planejamento, entretanto,
é necessário, pois possibilita mostrar a trajetória a ser percorrida durante
a intervenção, como se dará esta intervenção e as formas de observação. No
diagnóstico participativo espera-se que o público-alvo envolvido não sejam
apenas meros informantes dos seus problemas, mas sejam participante ativos no
processo interventivo. O levantamento de
informações consiste no ponto de partida, necessitando do profissional o
exercício da escuta permanente das necessidades expostas pela população,
trabalhando conjuntamente os caminhos a serem tomados. Buscamos o
conhecimento da realidade, de modo dialógico, com sujeitos envolvidos no
processo educativo, transcendendo a visão compartimentada sobre a mesma.
Procuramos também respeitar a pluralidade e diversidade cultural,
fortalecendo a ação coletiva, aglutinando diferenciados saberes e fazeres que
proporcionem a compreensão da problemática ambiental em toda a sua
complexidade. Esta reflexão ajuda a comunidade a identificar e
compreender seus problemas e os obstáculos que impossibilitam a convivência
com a seca, possibilitando uma melhor
qualidade de vida. O diagnóstico serve também como um instrumento para a
elaboração conjunta de atividades que melhorem suas condições sócio-ambientais. Para a realização do diagnóstico
participativo, promovemos uma reunião com os comunitários onde foram
coletados dados importantes para o desenvolvimento das atividades
apresentadas como prioritárias para serem trabalhadas pela comunidade. Os moradores listaram as atividades da cajucultura, ovinocaprinocultura,
apicultura e de forma participativa expuseram os problemas e as possíveis
soluções relativos à produção (técnicas, manejo, melhor aproveitamento dos
produtos), comercialização (atravessadores, armazenamento) e rendimentos. Ao final da reunião, os
comunitários concordaram que o primeiro passo para a realização de uma
melhoria das condições produtivas da comunidade seria a reativação da
Associação dos Moradores e que para isto haveria a necessidade da realização
de um curso sobre associativismo, que o Banco do Nordeste do Brasil
prontificou-se em realizá-lo. A participação dos moradores
foi muito positiva enfocando seus anseios e preocupações de forma bastante clara
e objetiva. Houve críticas ao poder municipal presente no evento, no que se
refere ao descaso para o problema do lixo. Na ocasião, o representante da
Prefeitura sugeriu que eles queimassem o lixo, que foi rebatido por um
comunitário: "Caraúbas tem carro de coleta, por que lá não queimam o
lixo?". Passaram a reivindicar não apenas a coleta do lixo como também
um local adequado para o seu destino final. Um dos participantes, inclusive,
ofereceu um dos seus terrenos para esta finalidade e o representante da
Prefeitura se prontificou em realizar uma reunião com a população para
discutir esta questão e sua solução, em outra oportunidade. Durante o diagnóstico
participativo foi largamente discutido a caprinocultura, a cajucultura e apicultura, onde os participantes
apontaram os principais problemas e soluções. Foi elaborado, também, uma pesquisa sócio-ambiental com o objetivo de
conhecer o perfil das pessoas residentes (homens e mulheres donos da casa),
as características das residências, hábitos de higiene, comportamentos
ambientais etc. O destaque
maior deste trabalho foi diagnosticar os costumes ambientais da região em
relação ao perfil das mulheres e dos homens.
Foram entrevistadas 51 famílias de uma população de 226 casas. Os dados foram coletados através de
questionários com perguntas fechadas e codificadas. Levantadas as demandas da população e compreendendo a
problemática sócio-econômica ambiental da comunidade passamos a segunda fase:
a da Ação. Curso de associativismo Objetivando auxiliar as organizações comunitárias
para uma melhor compreensão e assimilação da ótica de mercado e reduzir os
riscos pela definição de um planejamento estratégico e de autogestão foi
realizado o curso sobre "Organizações Associativas e
Cooperativismo" com uma caga horária de 20 horas e participação de 19
comunitários. Durante o curso foram trabalhados os temas: Valores e
Princípios; Visão de Futuro da Organização Associativa; Origem do
Cooperativismo; Cadeia Produtiva (Insumos, Produção,
Distribuição/Comercialização); Mercado; Promoção e Marketing; Plano de
Desenvolvimento Empresarial conforme a figura abaixo. Curso de
caprinocultura
O caprino é extremamente
resistente a seca, alimentando-se de ponta de galho desfolhado, casca de
árvore, além de serem pouco exigentes de água. A caprinocultura talvez seja a
mais importante das alternativas para a região seca em virtude da sua
adaptabilidade ao espaço semi-árido nordestino e ao meio físico hostil, e
pela sua expressiva participação na formação da renda familiar. Realizamos, assim, o curso de
caprinocultura com carga horária de 60 horas e com vinte participantes.
Abordando os temas: Importância da Caprinocultura; Principais raças; Manejo
Alimentar, reprodutivo e Sanitário; Instalações Básicas. O Curso contou com
40 horas teóricas e 20 horas práticas. Curso de
cajucultura
Esta cultura é de
relevante importância social e
econômica para a região do semi-árido com significativa participação na
fixação do homem do campo. Ela contribui para a distribuição de riqueza
gerada pela sua produção, assegurando geração de emprego, renda e melhoria da
qualidade de vida dos produtores. Durante o curso de 24
horas, houve a participação de 23 comunitários e teve como objetivo mostrar a
importância da cultura para a região do semi-árido, os problemas que vem
enfrentando e as alternativas para o desenvolvimento da cajucultura no
estado. Os temas abordados foram: Técnicas de cultivo como escolha do solo,
transplantio (conforme figura 01), material genético, adubação, poda,
controle de ervas daninhas, enxertia, substituição de copas, recuperação de
pomares, colheita, pragas e doenças. Comercialização, associativismo e o
aproveitamento do pedúnculo (a polpa do caju) para doces, rapaduras e também
como ração para os animais (bois, cabra e ovelhas). Os moradores da localidade
conheceram, também, a experiência bem sucedida do município de Serra do Mel,
onde o beneficiamento da castanha de caju é base da economia. Os cajucultores
conheceram o processo de beneficiamento, instituições envolvidas,
armazenamento, experiência com caju-precoce, cooperativismo, equipamentos
utilizados e a comercialização através de uma cooperativa. Curso de Gênero e Desenvolvimento Sustentável
O curso teve a duração de 40
horas e possuiu como finalidade oportunizar a discussão dos problemas
das mulheres de Mirandas, suas potencialidades e oportunidades tendo em vista
o desenvolvimento local. Contou com a participação de 31 mulheres sendo abordados
os temas: Construção das regras de convivência; Construção da cidadania
feminina; Sistema de sexo e gênero; Trabalho em Grupo; Os Grupos humanos se
organizam para satisfazerem suas
necessidades em 5 âmbitos; O que acontece com as mulheres: Um dia típico da
mulher de Mirandas; Enfoque de gênero no desenvolvimento rural sustentável;
Direitos assegurados na constituição de 1988; O novo código civil. Programas
radiofônicos de Educação Ambiental
Apesar da evolução dos meios de
comunicação em massa, a maioria da população do semi-árido nordestino não
usufrui destes benefícios decorrente
do baixo nível econômico. Desta maneira, o rádio constitui-se no principal
meio de acesso às informações cumprindo em um importante papel no processo
educativo. Considerando a relevância da
comunicação de massa é necessário que as informações ambientais sejam
pertinentes, corretas, garantindo o acesso ao segmento-alvo da população,
abandonando a linguagem excessivamente técnica. Buscando retratar a
realidade do semi-árido brasileiro, foram criados seis (06) programas
radiofônicos de forma bastante criativa, utilizando o linguajar típico
do homem rural a fim de haver uma maior identificação com os ouvintes. Os
temas abordados foram: Desmatamento, irrigação, evaporação, ciclo da água,
assoreamento, limpeza da caixa d’água. Educação Ambiental no ensino
formal
Tradicionalmente, no
Brasil, as escolas sempre estiveram fechadas nelas mesmas, não se vinculando
às comunidades, nem às problemáticas ambientais e sociais da localidade. Esta
situação vai se refletir na ausência de programas de formação continuada e de
capacitação de profissionais da educação, bem como na ausência de programas
de formação em educação ambiental numa abordagem transformadora. A Educação Ambiental deverá
estimular a interdisciplinariedade, compreendendo esta como um processo de
cooperação ativa entre diferentes áreas e campos profissionais possibilitando
a troca de informações e o enriquecimento dos temas abordados. A abordagem interdisciplinar,
assim, está relacionada com a discussão e intercâmbio mediante um diálogo
consciente que envolve conflitos criativos no processo de interação. Torna-se imprescindível,
ainda, a aquisição de novos valores que possibilitem a construção de uma
sociedade sustentável, participativa e democrática, comprometida com a
melhoria da qualidade de vida da população. A informação e o conhecimento tem
um poder de alavancar a construção desta sociedade, e a escola é o espaço por
excelência onde pode se dá a mudança básica dos valores, concepções e crenças
que direcionam o pensamento e as ações de novas gerações. Encontro de
Educação Ambiental com os Professores
Foi nossa intenção promover a educação
ambiental na escola não apenas como objetivo de ensinar sobre a água, mas de
educar “para” e “com” a água; para apreender e agir de maneira adequada ante
os grandes problemas das relações do homem com os recursos hídricos.
Desta maneira, realizamos um encontro
de educação ambiental com os professores das duas escolas da comunidade de
Mirandas onde propomos uma metodologia participativa e interativa tanto em
relação aos professores quanto aos alunos. Neste sentido a responsabilidade
em transmitir a importância da preservação dos recursos naturais ficou dividida
entre CAERN/escola/aluno onde os dois últimos assumiram seus papéis na construção do processo de
conhecimento/aprendizagem.
Esta forma de
descentralização foi importante, pois consideramos a escola um verdadeiro
universo com suas particularidades, conflitos e limitações, situadas em
espaço geográfico específico (bairro, comunidade), onde somente os
professores podem entender e
desenvolver o tema com mais propriedade, elegendo os aspectos e conteúdos
importantes vinculados a realidade local para que o aluno possa apreender a
problemática da água de forma contextualizada, possibilitando também passeios
e visitas a locais de interesse. Tivemos como objetivo
promover uma discussão sobre a problemática da água, estimulando os 57 professores a trabalhar em sala de aula a
importância da água e o seu uso racional. Encerramento
das atividades de educação ambiental nas escolas
A escola, enquanto
instituição responsável pela educação e formação de valores para as próximas
gerações tem a potencialidade de formar o cidadão responsável e participante
na vida política, social e ambiental da sociedade. A educação ambiental possibilitou, nas duas escolas, o
exercício da criatividade, reforçando o estímulo ao reconhecimento das potencialidades
existentes. Os professores realizaram
em salas de aula atividades sobre a temática água, importância e a
racionalização do seu uso. Eles passaram o mês de novembro todo trabalhando
com os alunos. No encerramento alunos, professores apresentaram os trabalhos
desenvolvidos. Eles fizeram poesias, paródias, repentes, peças teatrais (
conforme figura 02), danças e músicas contendo um forte impacto emocional a
fim de chamar a atenção, alertar para comportamentos errôneos e despertar as
pessoas para atitudes de preservação ambiental e em especial a utilização
racional da água. Nas salas eles fizeram
maquetes, cartazes, pesquisas com todos os moradores da comunidade, exposição
da qualidade da água antes (cacimbão) e depois da perfuração do poço e
construção da adutora (conforme figura 03), visitas ao poço que abastece a
comunidade e o reservatório. Criação do
Museu da Água com todos os instrumentos que anteriormente utilizavam
para pegar a água. RESULTADOS E
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como
resultado do curso de Associativismo, observou-se que a comunidade (pequenos
produtores rurais, mulheres e jovens) puderam compreender a importância de se
organizarem no sentido de criar uma vontade única capaz de buscar solução
para problemas sociais, ambientais e
econômicos da localidade. Esta
vontade já existia mais de forma latente e o curso serviu para despertar a
necessidade de criação de um organismo forte e solidificado para resolver os
problemas comunitários que somente poderão ser resolvidos mediante ações
integradas e participativas entre todos. As mulheres
decidiram espontaneamente criar uma Clube de Mães objetivando a criação de um
espaço para discutir a problemática da mulher no semi-árido brasileiro, além
de desenvolver atividades que possibilitem a melhoria das condições
financeiras da família e o aumento da qualidade de vida dos comunitários. É
de extrema importância a formação deste clube, pois as mulheres do semi-árido
brasileiro são muito discriminadas até mesmo pelas políticas públicas que
quase nunca contemplam as suas necessidades, alijando-as inclusive das que
existem. São poucos os programas de qualificação profissional para as
mulheres rurais, ficando as mesmas despreparadas para as atividades de gestão
produtiva no campo. A
formação do Clube de Mães reflete, desta maneira, um grande desejo de se
fazer presente, de mostrar sua identidade e de quebrar valores machistas que
vem imperando no semi-árido nordestino há centenas de anos. Na comunidade de
Mirandas existia um Conselho de Desenvolvimento Comunitário de Mirandas que
funcionou durante alguns anos. Nele existem vários equipamentos para o
beneficiamento da castanha como lacradeira de latas, duas balanças, garrafa
de oxigênio (para a conservação das castanhas, no caso de importação) e
trinta (30) cortadeiras de castanha , mas que se encontram desativados.
Durante alguns anos o conselho ficou desativado, pois havia, segundo os
cajucultores o individualismo, uma falta de visão coletiva, onde cada um
vendia o seu próprio produto. O conselho, hoje,
encontra-se reativado com a realização de reuniões onde os comunitários vem
discutindo a necessidade da formação de uma cooperativa dos produtores de
caju e a promoção de curso sobre gestão comunitária. O trabalho de educação
ambiental na comunidade de Mirandas aproximou a realidade ambiental da
população, fazendo com que ela percebesse o ambiente como algo próximo e
importante nas suas vidas, onde tem um papel fundamental a cumprir na
preservação e transformação do ambiente em que vive. A população começou a
compreender o futuro como uma construção coletiva e que depende de decisões
tomadas coletivamente definidas hoje e que irão necessariamente interferir na
definição de modelos de desenvolvimento sustentável conciliando a justiça
social e o equilíbrio ambiental. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
ABREU, Dôra. Sem Ela, nada feito: uma abordagem da importância da
educação ambiental na implantação da ISO-14001, Salvador;
Asset Negócios Corporativos, 1997. CALLENBACH, Ernest.
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São Paulo, 1993. DIAS, Genebaldo Freire. Educação
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Focesi . Alguns pressupostos da Educação Ambiental In: Júnior, Arlindo Phillipi e
Pelicone, Maria Cecília Focesi (editores) Educação Ambiental: desenvolvimento de
cursos e projetos – São Paulo: Universidade de São Paulo.
Faculdade de Saúde Pública. Núcleo de Informações em Saúde Ambiental: Signus Editora,
2000 – 350 p. Júnior, Arlindo Phillipi e Pelicone, Maria Cecília.
Recursos Humanos em Educação Ambiental: O
Papel da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo In: Júnior,
Arlindo Phillipi e Pelicone e Maria Cecília Focesi (editores) Educação Ambiental: desenvolvimento de cursos e projetos – São Paulo: Universidade de São Paulo. Faculdade de Saúde
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Ambiental: uma metodologia participativa de formação.
Petrópolis; RJ; Vozes, 1999. http://www.cpatsa.embrapa.br/meioamb.html http://www.brazilnature.com/caatinga.html http://www.fundaj.gov.br/docs/tropico/desat/js070202.html |
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