PODER
FEMININO
Curso de corte e costura incentiva inserção de
mulheres no mercado de trabalho e combate
subserviência
ao poder masculino
Caraúbas
– Pela primeira vez na zona rural de Caraúbas,
a mulher tem incentivo para inserção no
mercado de trabalho. Há dois meses, 22 mulheres
vêm recebendo aulas de capacitação em corte e
costura ministradas pela professora Dilzete
Lopes Fernandes e patrocinadas pelo Projeto de
Águas Subterrâneas para o Nordeste do Brasil
(PROASNE).
O projeto estimula a organização de associações
produtivas e cooperativas. Antes do curso,
participaram de vários treinamentos em
cooperativismo e associativismo empreendedor. As
mulheres de Mirandas foram o primeiro segmento a
se organizar com a implementação das primeiras
ações desenvolvidas pelo Proasne na
localidade.
Esse trabalho reflete o interesse em discutir os
problemas peculiares ao desequilíbrio de
oportunidades dos homens e das mulheres no
contexto do semi-árido. A partir do curso de
associativismo, elas passaram a se reunir
sistematicamente e, com muito esforço,
conseguiram se tornar uma instituição
legalizada.
O curso de Corte e Costura tem proporcionado,
também, um forte clima de descontração que
pode ser atribuído, em grande parte, à aquisição
das máquinas de costura. Com muito orgulho,
elas afirmam que o clube está tendo um sucesso.
Dessa maneira, as máquinas serviram para
estimular a auto-estima e a autoconfiança.
A coordenadora do Proasne em Caraúbas, Roberta
Borges de Medeiros Falcão, diz que o mais
importante é que elas vêem as máquinas de
costura como fruto de sua atuação. Daí a
relevância do trabalho de organização que foi
feito anteriormente como instrumento de construção
de uma cidadania qualificada.
ORGANIZAÇÃO ECONÔMICA – A
agricultura em pequena escala, criação e venda
de animais ou a produção artesanal de doces são
as atividades mais comuns exercidas pelas
mulheres na comunidade de Mirandas. Essas funções
costumam ser um prolongamento das atividades domésticas,
não fortalecendo a cidadania das mulheres, que
continuam submetidas à autoridade de pais, irmãos
ou maridos.
De maneira geral, na área rural, admite-se que
as mulheres exerçam atividades remuneradas
apenas nos casos de necessidades econômicas
para contribuir no orçamento familiar, mas não
enquanto opção pessoal por conquista de
autonomia e participação no processo social.
A economia informal tem sido a única
alternativa para uma parcela significativa da
população brasileira. Por não serem oficiais,
essas atividades geralmente são exercidas de
maneira bastante precária. A situação é
ainda pior para as mulheres. Segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE), a média de rendimentos dos homens no
setor informal é cerca de 50% superior à das
mulheres.

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