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PROJETO AEROGEOFÍSICO ÁGUA SUBTERRÂNEA NO NORDESTE DO BRASIL Relatório Final do Levantamento e Processamento dos Dados
Magnetométricos e Eletromagnetométricos e Seleção das Anomalias
Eletromagnéticas APRESENTAÇÃO por Yvon Maurice (GSC/PROASNE) Luis Mourão (DIGEOF/CPRM) O levantamento aerogeofísico
eletromagnetométrico-magnetométrico-VLF-EM apresentado neste relatório foi
executado como parte do Projeto Água
Subterrânea no Nordeste do Brasil (PROASNE-BRASIL), um projeto
multidisciplinar e de multiparceria de transferência de tecnologia sob a
liderança conjunta do Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e do Geological Survey of Canada (GSC), através do
suporte financeiro parcial da
Canadian International Development Agency (CIDA). O projeto foi
aprovado pela CIDA e pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC)/Ministério
das Relações Exteriores em abril de 2000 com vistas a introduzir modernas
tecnologias no nordeste do Brasil que possam desenvolver e melhor administrar
os recursos hídricos subterrâneos naquela região com tendência a seca. Esta
iniciativa também teve o apoio da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas
(ABAS), da Superintendência para o Desenvolvimento do Nordeste (SUDENE) e o
Programa Comunidade Solidária. O PROASNE-Brasil traz consigo uma vasta
gama de especialistas e instituições técnica e socialmente motivadas,
brasileiras e canadenses, privadas e públicas, a trabalharem na direção do
objetivo comum de melhorar as condições de vida na região nordeste do Brasil,
provendo-a de soluções sustentáveis para os problemas causados pela seca.
Entre as tecnologias que oferecem melhores perspectivas destaca-se a geofísica
aérea, especificamente os métodos eletromagnéticos no domínio da freqüência,
que se constituem em uma ferramenta potencial de grande valor para mapear a
distribuição dos recursos hídricos subterrâneos nos ambientes de embasamento
cristalino que se estendem por cerca de 80 por cento dos milhões de
quilômetros quadrados do nordeste brasileiro afetado pela seca. A água
subterrânea encontrada neste ambiente é levemente salina e, consequentemente,
é esperado que a mesma se comporte como condutor em um campo eletromagnético
induzido. O presente projeto é, provavelmente, o
primeiro realizado por helicóptero – levantamento eletromagnetométrico
(domínio da freqüência) e magnetométrico – conduzido para água subterrânea
nas condições geológicas (ambiente de aqüiferos situados em rochas
cristalinas pré-Cambrianas fraturadas) e climáticas que caracterizam o
nordeste do Brasil e, consequentemente, pode ser considerado pioneiro no uso
desta tecnologia. Geofísicos canadenses e brasileiros trabalharam juntos para
determinar os parâmetros do levantamento mais apropriados, otimizar as
operações de campo e proceder ao controle de qualidade dos produtos, os quais
continuarão a trabalhar com vistas à interpretação dos resultados e trabalhos
de geofísica terrestre para detalhamento dos alvos selecionados. Este
procedimento garantirá que ambas as partes aprendam o possível de cada uma,
bem como esta metodologia poderá ser otimizada para atender as necessidade
locais. Esta tecnologia possui grande potencial para ser aplicada em outras
regiões áridas e semi-áridas do mundo e deve ser considerada como um
instrumento de assistência social e de desenvolvimento. Três áreas – piloto, uma em cada um dos três estados separados
do nordeste do Brasil, foram escolhidas para testar a metodologia e avaliar
sua eficiência. Elas são referenciadas pelo nome da mais próxima cidade da
área do levantamento: Juá, no estado do Ceará, Serrinha, no estado do Rio
Grande do Norte e Samambaia, no estado de Pernambuco. A superfície total da
área levantada foi 357,9 km2. Com o espaçamento das linhas de vôo
de 100m e das linhas de controle de 500m, a quilometragem total voada foi de
4.465,7. Em 16 de fevereiro de 2001 o contrato nº
002/PR/01 foi assinado entre o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) e a Lasa Engenharia
e Prospecções S.A. para o levantamento aerogeofísico eletromagnetométrico
(domínio da freqüência) e magnetométrico (campo total). O projeto foi
financiado pela CPRM (50%) e pela CIDA (50%), através do GSC. A fase de aquisição de dados foi executada
entre os meses de março a maio de 2001, com emprego de uma aeronave
(helicóptero) Helibrás, modelo HB-350 (Esquilo), equipada com: a) Sistema eletromagnetométrico no domínio da
freqüência (FDEM) de 5 freqüências, Aerodat DSP 99, com sensor rebocado por
um cabo de 30 m (towed bird), com a
seguinte configuração: três pares de bobinas horizontais coplanares
(CP1-874,3/865,0 Hz; CP2-4.865/4.834 Hz; CP3-33.645/33.086 Hz) e dois pares
de bobinas verticais (CX1-918,5/924,0 Hz; CX2-4.443 Hz/4.525 Hz). O sistema
permite 10 leituras por segundo das componentes fase e quadratura de cada uma
das cinco freqüências; b)
Sistema
aeromagnetométrico de vapor de césio, Geometrics G-822, com sensor rebocado a
uma distância de 30 m, acoplado ao sensor EM, e realizando 10 leituras do
campo magnético total a cada segundo; c)
Sistema
VLF, Totem Hertz, modelo 2A, de dois canais, realizando medições do campo VLF
em fase e quadratura a cada 0,1 segundo, das seguintes estações: NAA - 24,0
kHz (Cutler, Maine, EUA) e NLK - 24,8 kHz (Seattle, Washington, EUA). O levantamento de dados foi concluído em
01.05.2001 e totalizou 4.465,7 km de perfis
eletromagnetométricos-magnetométricos. As linhas de vôo (LV) e de controle
(LC) foram espaçadas de 100m e 500m, respectivamente. As direções da linhas
foram E-W (LV) e N-S (LC). Uma alta precisão de posicionamento das
informações foi obtida com sistema GPS Novatel, de 12 canais. O software GEOSOFT OASIS
MONTAJ 5.1foi usado para o processamento dos dados, além das rotinas de pré-processamento
e de processamento de dados eletromagnetométricos proprietárias,
disponibilizadas à Lasa pela Fugro Canadá. Os dados magnetométricos foram
corrigidos da variação diurna, nivelados usando as interseções com as linhas
de controle, micronivelados e
removidos do IGRF para obtenção do campo magnético total residual. Os dados
de EM foram corrigidos da deriva e processados para a determinação da
condutividade aparente. Estes últimos foram calculados para cada freqüência a
partir das componentes em fase e quadratura, usando um modelo de semi-espaço
em pseudo‑camadas. A informação
de VLF foi reduzida para corrigir as interferências e desníveis comuns a este
método.Redução foi também aplicada para a determinação do nível base e
obtenção de anomalias VLF das
componente em fase e quadratura. O levantamento
aerogeofísico gerou um considerável número de mapas de contorno e imagens de
dados eletromagnetométricos e magnetométricos, os quais são apresentados nas
escalas 1:10.000 e 1:20.000. Os mapas
também mostram a planimetria básica, anomalias EM e os eixos dos condutores.
A lista dos mapas produzidos são mostrados a seguir: a) Mapa de condutividade aparente (EM) da
freqüência nominal de 4.500 Hz. Os eixos dos condutores e os símbolos
indicativos das anomalias EM estão superpostos a esse mapa. b) Mapa do campo magnético total (reduzido do
IGRF), campo magnético total reduzido ao polo e do sinal analítico do campo
magnético total. Os eixos dos condutores e os símbolos indicativos das
anomalias EM estão superpostos ao mapa do campo magnético total (reduzido do
IGRF). c) Mapa do modelo digital do terreno
(pseudo-topográfico) contendo a imagem superposta ao mapa base e aos traços
das linhas de vôo. Os dados digitais finais do
levantamento foram gravados em CD-ROM, em arquivos ASCII, no formato XYZ da
GEOSOFT OASIS MONTAJ 5.1. Estes arquivos contém as seguintes informações:
brutas e processadas do campo magnético total, das componentes fase e quadratura
das cinco freqüências EM e dos parâmetros VLF (em fase e quadratura).
Acrescente-se a estas as informações relativas à altura, altitude,
posicionamento GPS e registros da
estação - base magnetométrica. Outros arquivos contêm os dados em grid , como os de condutividade
aparente calculados para as cinco freqüências e para as anomalias EM. Os dados aerogeofísicos gerados
por esse projeto estão previstos ser usados pelos técnicos envolvidos no
PROASNE-Brasil, para interpretação, detalhamento e seleção de alvos para a
locação de poços de teste pelas organizações envolvidas no programa. Prevê-se
que tais procedimentos, quando totalmente desenvolvidos e otimizados,
aumentarão significativamente a taxa de sucesso na perfuração de novos poços
produtores de água nas áreas levantadas. Outras aplicações podem incluir a
seleção de locais para o Armazenamento e Recuperação de Aqüiferos / Aquifer
Storage and Recovery (ASR), tecnologia atualmente sendo desenvolvida e
adaptada para as condições da região nordeste do Brasil por uma companhia
canadense em colaboração com os parceiros do PROASNE no Brasil. Um dos mais importantes impactos
previstos na utilização da geofísica aérea para a exploração de água
subterrânea no nordeste do Brasil é que esta metodologia venha a encorajar a
exploração de água subterrânea em toda a região, não somente próximo às
comunidades como é o caso atual. Este procedimento deve aumentar de forma
significativa a quantidade de recursos hídricos disponíveis na região. Fica
evidente que tal expansão em área a ser desenvolvida vai requerer uma nova
postura para a gestão da água, incluindo o custo para trazer a água de locais
mais distantes, freqüentemente sem energia elétrica, para os locais de
consumo. Para este caso, o PROASNE-Brasil está promovendo um amplo uso de
energia solar para bombear e dessalinizar água subterrânea para o consumo
humano e uso na agricultura. Relatório completo Geological Survey of Canada
(GSC) Serviço
Geológico do Brasil (CPRM) |
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