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PROASNE-CAERN
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A EDUCAÇÃO AMBIENTAL NO ENFRENTAMENTO DA PROBLEMÁTICA Roberta
Borges de Medeiros Falcão; Tomaz Edson Pereira de Araújo
RESUMO O lixo é um dos mais sérios problemas sanitários e
ambientais do mundo moderno. A falta de uma Política a nível nacional para os
Resíduos Sólidos faz com que o Brasil deixe de ganhar, pelo menos, U$ 4,6
bilhões, todo o ano, por não reciclar o seu lixo. Na zona rural a situação
se agrava ainda mais, fazendo com que a população utilize rios e espaços a
céu aberto para colocar seu lixo, acarretando uma série de doenças nos
habitantes e poluição nos corpos hídricos e no solo. De uma maneira em geral, são as comunidades
periféricas das metrópoles e as localizadas nas zonas rurais as que mais
sofrem com o mau cheiro, condições de higiene e a degradação ambiental devido
à proximidade com este tipo de resíduo. Este artigo aborda,
inicialmente, a problemática do lixo no que se refere a seus impactos no meio
ambiente e na saúde pública, a importância da educação ambiental como um
instrumento para sensibilizar a população quanto às conseqüências da sua
disposição inadequada e, finalmente, relata uma experiência de educação
ambiental nas escolas de uma comunidade rural do semi-árido brasileiro no
enfrentamento do problema do lixo. O estudo de caso baseia-se na comunidade rural de Mirandas localizada
no município de Caraúbas, na região Oeste do Rio Grande do Norte a 296 Km de distância da capital Natal. Há uma elevada densidade demográfica com
aproximadamente 226 famílias na comunidade. Esta comunidade faz parte
da área piloto do PROASNE (Projeto de Águas Subterrâneas para o Nordeste do
Brasil) que vem desenvolvendo uma série de ações de auto-sustentabilidade na
localidade desde fevereiro de 2001. Por considerarmos a aquisição de informações e conhecimentos
um aspecto indispensável para a construção de uma nova visão de mundo capaz
de orientar ações no sentido da sustentabilidade, foram desenvolvidas com as
duas escolas da comunidade atividades que estimularam nos alunos uma
compreensão dos problemas ambientais, em especial o lixo, em uma perspectiva
de cidadania. LIXO: Um problema mal resolvido A
história do lixo pertence à própria história da civilização humana, pois o
homem é o único ser vivo que não consegue ter seus dejetos inteiramente reciclados
pela natureza. Originalmente a palavra lixo vem do latim lix que significa cinzas ou lixívia. No Brasil, atribui-se ao lixo,
segundo a NBR - 10.004 Classificação de 1987 da Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT) a denominação de Resíduo Sólido; residuu, também do latim, significa o que sobra de
determinadas substâncias, e sólido
é incorporado para diferenciara dos resíduos líquidos e gases. Consideram-se
Resíduos Sólidos, de conformidade com a referida Norma, todos os resíduos no
estado sólido e semi-sólido resultantes das atividades de origem industrial,
doméstica, hospitalar, comercial, de serviços, de varrição ou agrícola. O
Brasil produz aproximadamente 240 mil toneladas de lixo por dia, número
inferior ao dos EUA (607 t/dia), mas bem superior ao de países como a
Alemanha (85 t/dia) e a Suécia (10,4 t/dia).
Dentre os resíduos sólidos (lixo) produzidos no país, 76% são jogados
nos lixões (amontoados de lixo num terreno, sem nenhum tipo de tratamento) e
outros 13% nos chamados “aterros controlados”. Apenas 10% do total coletado têm como destino final os aterros
sanitários. A disposição inadequada do lixo em áreas consideradas impróprias
provoca a poluição do solo, água e ar. A geração de
resíduos sólidos no Brasil é um dos graves problemas enfrentados pelo poder
público, principalmente no nível municipal. Os municípios se defrontam com a
escassez de recursos financeiros para investir na coleta, no processamento e disposição final do lixo onde
certos materiais podem levar até 400 anos para se decompor. No Brasil,
apenas 63% dos domicílios contam com coleta regular de lixo. A população não
atendida queima seu lixo, enterram ou dispõe-no junto a habitações,
logradouros públicos, terrenos baldios, encostas e cursos de água,
contaminando o ambiente e comprometendo a saúde humana. A escolha das áreas para deposição
do lixo nas imediações das comunidades geralmente é feita de maneira
aleatória ou baseada apenas no custo do transporte. O lixo é, então,
depositado sob a forma de pilhas ou espalhado, constituindo o famoso
"lixão", sem que nenhum tipo de tratamento seja executado. Os
lixões constituem uma das formas mais primitivas para destinação final do
lixo. Impactos do Lixo no Meio
Ambiente e na Saúde Pública De acordo
com o artigo 1º da Resolução do CONAMA (Conselho Nacional do Meio Ambiente)
001/86, impacto ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas,
químicas e biológicas do meio ambiente, causado por qualquer forma de matéria
ou energia resultantes das atividades humanas que, direta ou indiretamente
afetam a saúde, a segurança e o bem estar da
população, as atividades sociais e econômicas, a biota, as condições
sanitárias do meio ambiente, a qualidade dos recursos ambientais. As principais causas da poluição do solo decorre do
acúmulo de resíduo sólido, como embalagens de plástico, papel e metal, e de
produtos químicos, como fertilizantes, pesticidas e herbicidas. O material
sólido do lixo demora muito tempo para desaparecer no ambiente. O vidro, por
exemplo, leva em torno de cinco mil anos para se decompor, enquanto
determinados tipos de plástico nunca se decompõem, pois são resistentes ao
processo de biodegradação promovido pelos microorganismos. O lixo orgânico, no processo de decomposição, gera um líquido escuro, turvo e
malcheiroso altamente poluente denominado de chorume (ele é dez vezes mais
poluente que o esgoto doméstico). Este líquido tem a capacidade de dissolver
tintas, resinas e outras substâncias químicas de alta toxidade contaminando o
solo, impedindo o desenvolvimento das plantas. No período chuvoso, em que o lixo se mistura com a
água de chuva, o chorume encontra maior facilidade de infiltração no solo,
contaminando os mananciais subterrâneos e de superfície (rios, lagos,
córregos). O chorume pode permanecer por décadas no solo mesmo após o
encerramento do lixão, exigindo ações corretivas durante vários anos com o
objetivo de remediar a contaminação. Em
relação aos gazes provenientes da disposição do lixo, o metano é o componente
mais problemático devido a sua elevada concentração (em torno de 300.000
vezes maior que a encontrada na atmosfera) exigindo técnicas sanitárias e
ambientais apropriadas de controle. A concentração de metano superior a 5% é
explosiva e é o segundo elemento causador do efeito-estufa na atmosfera. O lixo
é também o ambiente perfeito para a proliferação de doenças. Quando disposto
no solo sem nenhum tratamento, o lixo, atrai para si dois grandes grupos de
seres vivos: os macro-vetores e os micro-vetores. Fazem parte do grupo dos
macro-vetores as moscas, baratas, ratos, porcos, cachorros, urubus. O grupo
dos micro-vetores como as bactérias, os fungos e vírus são considerados de
grande importância epidemiológica por serem patogênicos e, conseqüentemente,
nocivos ao homem. Estes vetores são causadores de uma série de
moléstias como diarréias infecciosas, amebíase, febre tifóide, malária, febre
amarela, cólera, tifo, leptospirose, males respiratórios, infecções e
alergias, encontrando no lixo um dos grandes responsáveis pela sua
disseminação. A
leishimaniose, considerada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma
das seis doenças infecciosas e mais perigosas vê a sua transmissão favorecida
pelo acúmulo de lixo nos terrenos baldios e lixões que são locais extremamente
favoráveis à reprodução e desenvolvimento do mosquito transmissor. Outra enfermidade bastante conhecida dos
brasileiros é a dengue. Transmitida pela picada do mosquito Aedes Aegypti, a doença pode levar à morte.
As larvas reproduzem-se principalmente em pneus velhos, vasos de plantas,
garrafas e outros locais onde a água da chuva fica acumulada. O sistema de
coleta de lixo deve ser visto como uma medida preventiva, pois impede o
acúmulo desses tipos de materiais próximos a população. Segundo
a ONU (Organização das Nações Unidas) 5,2 milhões de pessoas, entre elas
quatro milhões de crianças menores de cinco anos, morrem a cada ano devido a
enfermidades com os resíduos sólidos. O
Lixo da Comunidade Rural de Mirandas
O lixo é um grave problema ambiental para a
população de Mirandas que utiliza a via de acesso da comunidade como destino
a céu aberto e a exposição de animais mortos dificultando os transportes e
gerando uma série de problemas de saúde (o calazar é apontado como um dos
maiores problemas), além da questão estética, mau cheiro e, principalmente
agressão visível ao meio ambiente.
A propósito registramos a seguinte declaração feita
por um morador: "Aqui é podre. Vocês vão se embora e não vão sentir a
catinga vindo do norte".
Outro comunitário afirmou:
"O lixo prejudica o pessoal, pois vai todo para o açude".
Um outro comunitário fez a seguinte observação: “Antes, o problema de lixo
na comunidade era muito complicado, colocavam o lixo aqui, ali, no cemitério,
na rua e no quintal”. O trabalho de coleta de lixo na área rural
brasileira é extremamente insuficiente atingindo apenas 13,3% dos domicílios
brasileiros (IBGE, 2000). O problema do lixo rural também pouco discutido e
estudado sendo dedicado poucos recursos específicos para a busca de
estratégias para mitigação do problema. A realidade mostra que o lixo rural
tem coleta cara decorrente, dentre outros fatores, a grande distância entre a
localidade e o centro urbano. Desta maneira, uma
alternativa muito utilizada pelos moradores da comunidade de Mirandas para
solucionar o problema do lixo é queimando-o. Um comunitário fez a seguinte
colocação: “Quando queimam o lixo a fumaça vem para dentro da casa da
gente”. Esta fumaça provoca muitos problemas alérgicos na população,
principalmente entre as crianças. Em termos ambientais a queima do lixo destrói todas
as propriedades coloidais e outras benéficas ao condicionamento do solo. A queima de plásticos e isopor emite gases
que poluem a atmosfera causando doenças e contribuindo para o efeito estufa.
A falta de coleta pública leva a população também a enterrarem o lixo. A Educação Ambiental e sua Importância na Preservação do Meio
Ambiente Uma das principais conclusões assumidas a nível
internacional é a recomendação de se investir em uma mudança de mentalidade e
valores, sensibilizando as populações para a necessidade de se utilizar novos
pontos de vista e novas posturas diante dos dilemas referentes à degradação
ambiental. A Educação Ambiental, neste sentido, é entendida como o processo através do qual o indivíduo e a coletividade constroem valores sociais, conhecimentos, atitudes, habilidades, interesse e competência voltados para a conservação do meio ambiente, bem de uso comum do povo, essencial à sadia qualidade de vida e sua sustentabilidade. Os princípios da educação ambiental para sociedades
sustentáveis têm o pensamento crítico, questionador e transformador da
sociedade como elemento fundamental para formação de cidadãos com consciência
local e planetária. A Educação Ambiental deve envolver
uma perspectiva holística em seu contexto social e histórico, enfocando a
relação entre o ser humano, a natureza e o universo de forma única e
globalizada, estimulando a solidariedade, a igualdade e o respeito aos
direitos humanos, valendo-se de estratégias democráticas e justas. Facilitando a cooperação
mútua nos processos de decisão, em todos os níveis e etapas, a Educação
Ambiental deve valorizar e respeitar a história e cultural local, assim como
promover o diálogo, a criação de espaços de discussão das temáticas
sócio-ambientais. Para se atingir esse objetivo
associado ao sucesso esperado, deve-se vencer as seguintes etapas: despertar
o interesse das pessoas no problema ambiental que se quer trabalhar, promover
a mobilização social, transmitir informações, planejar ações e monitorar e
avaliar os resultados. A Educação Ambiental é hoje uma necessidade
e deve ser uma prática que busque a superação da sociedade dominante,
buscando construir uma mudança de comportamento da população e uma
participação ativa na busca de superação dos problemas sociais, econômicos e
ambientais de sua localidade. A Experiência em
Educação Ambiental nas Escolas
Indubitavelmente,
a escola é um espaço que favorece possibilidades para a construção de um
trabalho sistemático e integrado com o alunado. Contudo, é preciso que esse
espaço seja aproveitado de forma envolvente, participativa, representando um
elo junto à comunidade a que está inserida. A escola, por se tratar de um espaço de construção
de conhecimento, formulação de conceitos e reflexão permanente, é, também, um
fórum privilegiado para a abordagem das questões ambientais. As atividades
desenvolvidas, entretanto, Deve ser reforçado o ganho social na implantação
de ações que tenham como finalidade a qualidade ambiental. Os
professores são a peça fundamental no processo de sensibilização da sociedade
referente aos problemas ambientais, pois buscarão desenvolver em seus alunos
hábitos e atitudes sadios de conservação do meio ambiente e respeito à
natureza transformando-os em cidadãos conscientes e comprometidos com o
futuro da sua e futuras gerações. Considerando a escola como um dos
ambientes com maior proximidade com os alunos, a compreensão das questões
ambientais e as atitudes em relação a elas se darão a partir do próprio
conteúdo cotidiano da vida escolar do aluno. O convívio escolar será o fator
determinante para a aprendizagem de valores e atitudes. As escolas municipais Francisco
de Souza Júnior e Aproniano Mateus de Sá estão estruturadas em três turnos,
totalizando 390 alunos matriculados, em turmas de pré-escolar a 8ª série do
1ºgrau, além da educação básica (alfabetização de jovens e adultos). A
primeira foi fundada no ano de 1995 e conta com dez professores. A segunda é
mais antiga, inaugurada na década de 70 e possui cinco professores. As escolas atendem, em sua grande
maioria, alunos da própria comunidade e adjacências. A estrutura familiar
dessas crianças é muito carente, filhos de pequenos proprietários rurais, não
desfrutando de uma vida confortável. Ao contrário, a história de vida dessas
crianças denuncia grande sofrimento e carências o que implica numa falta de
perspectiva. O Projeto de Educação Ambiental
Os professores, após vários encontros, elaboraram o
projeto “Lixo: Conscientizando para uma vida saudável”. A justificativa
que os mesmos deram para a escolha deste tema deve-se a grave situação do
lixo na comunidade. Um dos professores fez a seguinte colocação: “As
escolas trabalham com temas mais urgentes. Observamos a comunidade muito
suja”. Outro aspecto que impulsionou a
realização deste projeto foi o elevado número de doenças: “Além da sujeira, as crianças tem muito
verme e outras doenças como alergia, dengue”. A metodologia adotada teve por base a relação
sujeito/sujeito no processo educativo, pois a mudança de comportamento
ambiental só ocorrerá se a pessoa sentir a sua importância e assumi-la. Desta
maneira, a metodologja contou com trabalhos coletivos, interações, trocas,
debates com os alunos. Os professores buscaram estimular as trocas de
informações e experiências. As estratégias didáticas foram amplamente
debatidas pelos professores favorecendo o amadurecimento pedagógico do grupo.
O
desenvolvimento desse trabalho buscou possibilidades de envolver o aluno,
para que ele começasse a formar em sua mente princípios de cidadania e de
preservação ambiental. Os trabalhos em salas utilizaram materiais de jornais
e revistas que ilustraram, contextualizaram e aprofundaram o tema lixo
mantendo, assim, o debate empolgante e atualizado. Além
de o lixo ser o tema central do projeto, outros temas foram abordados pelos
professores nas salas de aula como leis ambientais, animais em extinção, paz,
desmatamento, Agenda 21. “Todos os professores trabalharam a
conscientização da preservação da natureza” diz um professor.
Reunião com os professores discutindo a proposta de
educação ambiental Os temas foram explorados, nas salas de aulas, de
forma que a criança percebesse como são construídos os processos sociais e
ambientais no desenvolvimento do mundo, reconhecendo suas atribuições,
responsabilidades, direitos e deveres.
Reunião com os professores discutindo a proposta de
educação ambiental Assim, o trabalho
educativo partiu de uma ação conjunta, agregando e cruzando informações,
inserindo estratégias que vislumbrassem o envolvimento de comportamentos
responsáveis e participativos. Desta
maneira, a metodologia partiu de uma análise local chegando gradativamente ao
contexto mais amplo do processo.
Isso, conseqüentemente, teve uma repercussão na comunidade e foi um
aprendizado significativo para os alunos.
Professores desenvolvendo atividades para serem
trabalhadas em salas de aulas Atividades
desenvolvidas em Salas de Aula Em trabalhos
de educação ambiental é extremamente importante saber emocionar, pois
sensibilizar é cativar o aluno para que ele seja receptivo às informações e
aprenda a ser um agente multiplicador transmitindo as informações assimiladas
em seus ambientes familiares. Neste sentido, foram aplicadas técnicas de
teatros, jogos, musicas, dinâmicas de grupo (brincadeiras), filmes, histórias
da literatura infantil, observação do lixo da sala, das escolas e da própria
comunidade para a sensibilização dos alunos sobre a problemática do lixo. A
educação ambiental que tem por objetivo informar e sensibilizar as pessoas
sobre os problemas (e possíveis soluções) existentes em sua comunidade, busca
transformar essas pessoas em indivíduos que participem das decisões sobre seus
futuros, exercendo desta maneira o direito a cidadania tornando-se
instrumento indispensável no processo de desenvolvimento sustentável.
Crianças confeccionando brinquedos a partir de
materiais recicláveis Os
professores trabalharam, exaustivamente, a arte com os alunos estabelecendo
uma relação muito estreita entre cultura e o lixo. Sem dúvida, a arte sempre
encontrou, nas suas diversas manifestações e nos mais variados aspectos que
compõe o tema Meio Ambiente, uma fonte de inspiração notável, e por meio de
sua abordagem estética e lúdica contribui para enriquecimento, não só das
abordagens, mas o modo como se sente e entende a questão ambiental. Os
professores propiciaram a abordagem do lixo, também, através das artes
visuais (cartazes) possibilitando aos alunos estabelecerem uma vinculação
entre o problema, as representações que fazem dele e as atitudes em relação a
ele.
Alunos expondo cartazes com a temática do lixo
Alunas expondo cartazes com a temática do lixo
Estudantes assistindo filme sobre o lixo A partir das reflexões e discussões em salas de
aula, foram proporcionados aos alunos momentos de leitura de textos
informativos discutindo em que consiste a coleta seletiva e porque ela é
importante, assim como entrevistas com pessoas que lidam com esta problemática.
O ensino de procedimentos de coleta: uso de recipientes de cores diferentes,
tipos de lixo que serão classificados, também serão foco deste projeto.
Alunos realizando trabalho em grupo Atividades
Desenvolvidas Extra Sala de Aula É
através das atividades de campo que os profissionais especializados têm a
oportunidade de vivenciar com os alunos, momentos extremamente ricos em
aprendizagem sobre os diversos assuntos, tendo como objetivo principal criar
uma consciência crítica no aluno em relação ao Meio Ambiente. É nestes ambientes que transcendem as sala de aula
que se desenvolve, nos alunos, o companheirismo, o espírito de equipe e a vontade
que se tem de explorar e conhecer cada vez mais o mundo externo. Assim, são
resgatados e valorizados simples valores já esquecidos como respeito e
gratidão pela natureza sabendo da sua importância na sobrevivência da espécie
humana. Visitas aos Mananciais
Um grande problema que temos em relação ao lixo é quanto a
sua disposição inadequada e indevida no meio ambiente. Assim, tem sido muito
comum o lançamento de lixo diretamente nos cursos d'água, ou nas suas margens,
o que acarreta degradação dos rios e o comprometimento da qualidade de vida e
de saúde da população local.
Alunos expõem a
degradação do lixo em um açude
O lixo acumulado nos corpos hídricos serve de
alimento para determinadas espécies de animais que passam a habitar aquela
região. Muitos desses animais podem transmitir doenças extremamente graves e
fatais como, por exemplo, a leptospirose. Gradativamente, a comunidade de Mirandas está
percebendo que o lixo é um grande problema ambiental e de saúde pública que
requer a participação de todos para o seu equacionamento. Visitas ao Lixão
Crianças verificam “in loco” problema do lixão da
comunidade Os inconvenientes e os
riscos dos lixões não são poucos. Imensas áreas, a céu aberto, recebem
diariamente uma grande quantidade de lixo de toda espécie, sem nenhum tipo de
tratamento ou seleção prévia, tornando-se com isto verdadeiros focos de
problemas de toda ordem. Visita ao aterro
controlado do município de Caraúbas O aterro controlado é o
local onde os resíduos são amassados por um trator que diminui
significativamente seu volume. O lixo compactado é coberto por uma camada de areia,
minimizando odores, evitando incêndios e impedindo a proliferação de insetos
e roedores. Outro objetivo da compactação é prolongar a vida útil do aterro.
Alguns poucos aterros controlados tem o terreno impermeabilizado com argila ou mantas de
polietileno para que o chorume não contamine os lençóis freáticos.
Estudantes visitam aterro controlado de Caraúbas
O aterro sanitário, diferentemente do aterro controlado,
é o processo de disposição final de resíduos sólidos, principalmente do
domiciliar, baseado em critérios de engenharia e normas operacionais
específicas. Estas normas e critérios permitem a confinação segura do
lixo, em termos de controle da poluição ambiental e proteção à saúde pública.
Estudantes visitam aterro controlado de Caraúbas
O processo envolve, além da impermeabilização do
terreno, sistema
de drenagem para chorume, que deve ser retirado do aterro sanitário e
depositado em lagoa próxima que tenha essa finalidade específica, proibida ao
público. Existe um sistema de drenagem de tubos para os gases, principalmente
o gás carbônico, o gás metano e o gás sulfídrico para que o terreno não fique
sujeito a explosões e deslizamentos. Ele também possui poços de monitoramento
das águas subterrâneas. Ao final de sua vida útil (em média 20 anos), o
aterro sanitário pode ser recomposto. Mutirão de limpeza nas escolas O termo mutirão designa um tipo de ajuda mútua e
tem a ver com bens comuns e coletivos. Neste sentido, princípios básicos como
limpeza do ambiente escolar (não jogar lixo no chão, manter os banheiros
limpos, não riscar as paredes, organização do material, trabalho coletivo),
foram questões trabalhadas com os alunos, que favoreceram a visualização de
coisas mais abrangentes como os direitos e deveres dos cidadãos. Segundo o
depoimento de um dos professores: “Não podíamos trabalhar o tema lixo com
a escola suja”.
Estudantes realizando mutirão para a limpeza das
escolas O mutirão, além de ter sido um evento
recreativo, a atividade buscou despertar ou fortalecer nos alunos o prazer de
zelar pelo seu ambiente escolar, estimulando a formação de pequenos grupos de
limpeza, lembrando que não sujar é uma atitude mais inteligente do que limpar
a sujeira. Essas
questões foram trabalhadas sempre voltadas ao enfoque ambiental, na intenção
de favorecer um conhecimento mais amplo de alternativas que podem contribuir
no processo ensino aprendizagem. Implantando a Coleta Seletiva
O melhor meio para o tratamento do lixo ainda é a
coleta seletiva, por meio da separação, nas propriedades, em categorias como
vidro, papel, metais e lixo orgânico. As iniciativas brasileiras de coleta
seletiva ainda são pequenas. Apenas 100 dos nossos 5.506 municípios
desenvolvem algum tipo de programa desta natureza. A reciclagem de papel, vidro, plástico e metal
representa em torno de 40% do lixo doméstico A coleta seletiva e a reciclagem
de resíduos são uma solução indispensável, por permitir a redução do volume
de lixo para disposição final em aterros controlados ou sanitários
prolongando sua vida útil.
Além disso, a reciclagem implica uma redução
significativa dos níveis de poluição ambiental e do desperdício de recursos
naturais, através da economia de energia e matérias-primas. Os maiores
beneficiados por esse sistema são o meio ambiente e a saúde da população. A educação ambiental
tem se mostrado o instrumento fundamental para o sucesso dos programas de reciclagem,
pois possibilita a aprendizagem do cidadão sobre o seu papel como gerador de
resíduos, atingindo escolas, instituições públicas, residências, escritórios,
fábricas, lojas, enfim, todos os locais onde os cidadãos geram resíduos. Um dos princípios
básicos da educação ambiental sobre o lixo é o conceito dos três
"Rs": reduzir, reutilizar e reciclar. Reduzir tem como finalidade
estimular no cidadão a diminuir a quantidade de resíduos que gera, através do
reordenamento dos materiais usados no seu cotidiano, combatendo o desperdício
que resulta em despesas para o poder público, e conseqüentemente, para o
contribuinte, favorecendo a preservação dos recursos naturais. Reutilizar significa
usar embalagens retornáveis e reaproveitar as descartáveis para outros fins.
A reutilização é uma das práticas bastante recomendada para os programas de
educação ambiental. A reciclagem é tida como a recuperação dos materiais
descartados modificando-se suas características físicas (diferenciando-a de
reutilização em que os descartados mantêm suas feições). A Educação
Ambiental invadindo a Comunidade de Mirandas A Educação Ambiental não pode ficar limitada,
apenas, ao âmbito escolar, mas deve vincular às populações dos bairros, das
comunidades. Deve se ativar todas as formas de educação permanente, a de
professores, crianças, jovens, comunitários,
em termos de educação de valores. O
contato e a parceria para trabalhos conjuntos com a comunidade para as
problemáticas ambientais constituem em uma rica contribuição principalmente
pelo vínculo que se estabelece com a realidade envolvida. Para isto, as
escolas buscaram formas de estarem mais presentes no dia a dia da comunidade
e também o inverso, isto é, a presença da comunidade no cotidiano da escola
de modo que a escola, os estudantes e os professores pudessem se envolver em
atividades voltadas para o bem estar da sua comunidade, desenvolvendo
projetos com desdobramentos dentro e fora da escola.
Escolas de Mirandas realizam caminhada ambiental
pela rua da Comunidade A educação ambiental das escolas
buscou ser uma educação para a sustentabilidade da vida humana a da natureza,
ou seja, uma educação para a qualidade de vida, para uma ética a favor da
vida defendendo o patrimônio natural.
Estudantes procuram
sensibilizar a comunidade sobre os problemas do lixo
Assim, uma
comunicação objetiva e clara com a comunidade é vital para qualquer programa
de coleta seletiva. Se o processo de planejamento estimular a participação
popular, a comunidade provavelmente terá uma identificação com o programa de
reciclagem proposto, bem antes que ele se inicie verdadeiramente. Sobre a importância do projeto na comunidade um
comunitário fez a seguinte consideração: “Ele (o projeto de educação
ambiental com ênfase no lixo) traz muito benefícios, evita doenças e pode
ser usado para gerar renda na reciclagem”. O lixo provoca a poluição.
Escola e comunidade: uma parceria que sempre dá
certo
Manifestação dos
estudantes na área central da comunidade
As escolas promoveram uma
caminhada ambiental com a finalidade de sensibilizar a comunidade sobre a
questão do lixo e a importância da coleta seletiva. Além da caminhada
ambiental, ocorreram três reuniões na comunidade com o objetivo de mobilizar
a população em geral, e não apenas os estudantes, sobre as implicações
ambientais e sanitárias negativas da destinação incorreta do lixo. Encerramento das atividades desenvolvidas nas escolas Após dois meses trabalhando dentro e fora das salas
de aulas, as duas escolas realizaram uma feira de ciências, na qual foram
expostas todas as atividades realizadas. A feira de ciências ficou aberta ao
público durante toda a tarde do dia 22 de dezembro, onde centenas de pessoas
puderam não apenas conhecer os trabalhos como assistir várias apresentações
artísticas como peças teatrais, paródias, repentes, poesias.
Coordenadora Social do PROASNE recebe medalha
“Amiga da Escola” As manifestações
artísticas e culturais são consideradas uma excelente alternativa para
desenvolver um processo de sensibilização dos alunos e comunidade em geral
com relação às questões ambientais, além de ter a capacidade de atrair
multidões contribuindo para a conscientização da opinião pública sobre os
problemas ambientais.
Peça teatral sobre a problemática
ambiental do semi-árido brasileiro
Peça teatral com
enfoque no sertão nordestino
Exposição de produtos
feitos a partir de materiais
recicláveis
Exposição de produtos
utilizando materiais recicláveis
Cartaz abordando o tempo de degradação dos produtos
Repente sobre o tema lixo
Estudante lê uma
poesia de sua autoria sobre o lixo
Equipe de professores
das duas escolas que participaram do projeto de lixo
Ampla participação dos alunos e professores Percebemos,
como aspecto mais relevante do desenvolvimento do projeto na escola, o
crescente envolvimento dos alunos e de todo corpo docente e administrativo
das escolas. Os estudantes das duas escolas da comunidade de Mirandas tiveram
um forte envolvimento durante toda a execução do projeto onde através das
atividades realizadas mostraram um comprometimento com as questões ambientais
da escola e da comunidade. Neste
sentido, o objetivo do projeto foi atingido, se considerarmos que uma das
finalidades do mesmo consistia em uma preparação do aluno para uma relação
mais solidária com o ambiente, buscando uma participação mais ativa, cidadã e
consciente. Com
relação aos professores e demais funcionários das escolas destacamos uma
grande integração, possibilitando uma interdisciplinariedade mais abrangente
do tema lixo, envolvendo todas as disciplinas. Houve uma preocupação dos professores em
proporcionar aos alunos uma visão mais crítica da problemática do lixo, uma
vez que, como comunitários eles irão atuar diretamente na localidade em que
estão inseridos. Aproximação escola/comunidade O projeto de educação ambiental
estreitou o relacionamento da escola com a comunidade, tornando-se um corpo
vivo, que buscou educar, produzir conhecimentos, gerando cidadania, e assim
se transformou em um elo dinâmico de transformação social. As atividades
extra-escolares funcionaram como elemento de intervenção modificadora do
quadro social em que moram. Redução do lixo na área externa das escolas O lixo
era uma constante no entorno das duas escolas da comunidade que era
depositado pelos próprios estudantes e pelos comunitários constituindo-se em
verdadeiro foco de doenças, além de prejudicar grandemente a estética da
localidade. Os alunos passaram a melhor acondicionar o lixo na lixeira
comunitária dentro da escola. Comprometimento do poder público
municipal com a coleta de lixo na comunidade O lixo
da comunidade de Mirandas ficava amontoado em terrenos baldios devido à
ausência da coleta de lixo por parte da prefeitura, instituição responsável
por este tipo de serviço, como declarou um comunitário: O problema do lixo é grave, não tem onde colocar,
jogam em todo o lugar. Após a
realização deste projeto, o poder público municipal comprometeu-se a uma vez
por semana coletar os resíduos sólidos. A respeito disto já foi dado inicio
ao trabalho de recolhimento do lixo por parte do poder público.
Secretaria municipal coletando o lixo da comunidade
Secretaria municipal coletando o lixo da comunidade Ampla divulgação do projeto na mídia (imprensa escrita e
televisiva) Os
jornais da localidade noticiaram, exaustivamente, todas as ações realizadas
pelo projeto “Lixo: Reciclando para uma vida saudável” contribuindo
para que temas ambientais, em especial o de resíduos sólidos, fossem
colocados em pauta, sensibilizando a população sobre os agravos ambientais da
incorreta destinação. A respeito ver: http://proasne.net/JornaldeFato19.htm |