Canada flg

CANADA-BRAZIL COOPERATION
COOPERAÇÃO BRASIL-CANADÁ

Brazil flg






















 

mais de 200 arquivos indexados

 

 

Projeto Água Subterrânea no Nordeste do Brasil

Desenvolvimento Rural Sustentável

Um Guia Prático para as Comunidades do Semi-Árido Nordestino

por 

Roberta Borges de Medeiros Falcão

Ana Paula da Silva Oliveira

 

Parte 4
Sustentabilidade Econômica 

 

Uma das maiores dificuldades dos governantes atualmente é suprir a zona rural dos conhecimentos técnicos que proporcionem a criação de novas oportunidades e outras formas de desenvolver a renda familiar, abrindo especialmente espaço para a inserção da mulher e do jovem no mercado de trabalho. Desta forma, surge a necessidade de criação de novas oportunidades econômicas e a melhoria da qualidade de vida no campo, como estratégia de atenuar o êxodo rural.

As ações emergenciais podem e devem dar certo, mas são ações de caráter provisório, por isso devem ser ressaltadas as ações permanentes. O Nordeste precisa, então, de ações permanentes que possibilitem a exploração das potencialidades locais.

Embasado com o conceito de desenvolvimento sustentável da região é possível proporcionar a melhoria da qualidade de vida da população, onde a agricultura familiar seja considerada uma das potencialidades regionais. Todavia, outras potencialidades podem ser exploradas tais como: criação, piscicultura, mineração, turismo, entre outras. E a região está cheia de exemplos que comprovam que as ações permanentes são importantes e viáveis podendo ser implementadas com recursos financeiros não muito vultuosos.

A sustentabilidade da economia local não depende apenas da percentagem de suas exportações, mas, sobretudo, do grau de articulação e de eficiência na produção interna de seus sistemas produtivos e na construção social dos mercados locais.

A sustentabilidade econômica pressupõe a construção de uma infra-estrutura básica e está vinculada ao acesso democrático da distribuição de riqueza e a propriedade produtiva. Para dinamizar uma determinada potencialidade o primeiro ponto é a identificação de uma ou mais vocações, descobrindo, assim, as vantagens da localidade e comparando-as com às demais. 

Toda localidade é única, singular com identidade própria, vocações, problemas e limites. A partir da identificação das potencialidades são elaborados planos que possam desenvolver, dinamizar tais potencialidades. Por potencialidades compreendemos os recursos disponíveis ou com possibilidade de serem disponibilizados em uma determinada localidade.


FORMAÇÃO PROFISSIONAL

 

A formação profissional é um elemento estratégico para a implementação de qualquer política de desenvolvimento econômico para garantir as mudanças propostas pela proposta de Desenvolvimento Sustentável. 

As ações devem ser realizadas como instrumento que possibilite os trabalhadores a resgatarem a auto-estima e a desenvolverem ainda mais suas habilidades e aptidões produtivas, transformando-os em atores capacitados em assumir a gestão deste novo modelo de desenvolvimento. 

O baixo nível educacional da mão de obra rural torna-se uma forte barreira na introdução e disseminação de novas técnicas no processo produtivo. Se a modernização da vida rural não caminha no mesmo ritmo de desenvolvimento educacional é inevitável que isso desencadeie o êxodo rural, uma vez que a educação é percebida pelo trabalhador como o único meio de valorizar sua formação, melhorar sua renda e transformar o seu modo de vida.

Durante anos acreditou-se ser desnecessário, para a promoção do desenvolvimento rural que o setor agrícola tivesse recursos humanos qualificados. Desta maneira, não houve grandes investimentos para a evolução da produção competitiva, melhores rendimentos e eficiência do sistema e tecnologias mais modernas. Estudos realizados demonstram que da colheita a comercialização, o Brasil perde anualmente milhares de toneladas de produtos agrícolas por práticas rudimentares que poderiam ser facilmente evitadas.

Atualmente, existe um vertiginoso crescimento da demanda pelos produtos da agropecuária, preocupação com processos produtivos que não degradem os recursos naturais de maneira irreversível o que torna necessário o investimento educacional em capital humano na busca de novas estratégias para um desenvolvimento rural sustentável.

Atualmente, vêm se discutindo a necessidade de projetos da zona rural que não se restrinjam apenas a atividades agropecuárias, mas contemple também a integração e envolvimento em nível local de vários setores: agricultura, criação de peixes, a industria artesanal, o comércio e outras atividades que dêem sustentação ao dinamismo econômico em escala local. 

FORTALECIMENTO DA AGRICULTURA FAMILIAR

 

A agricultura tem um papel preponderante na promoção do desenvolvimento econômico nacional e no aumento qualitativo das condições de vida da população possibilitando a redução das desigualdades sociais; desconcentrando a geração de renda; reduzindo o êxodo rural; gerando divisas. 

Durante décadas a agricultura familiar e a sua base fundiária, a pequena propriedade, foram relegadas à segundo plano e até mesmo esquecida pelo Estado em detrimento da grande propriedade, considerados os setores privilegiados no processo de modernização da agricultura brasileira. 

O histórico processo de colonização da economia e da sociedade brasileira fortemente caracterizado pela grande propriedade, as grandes culturas de exportação e a escravatura marcaram grandemente a agricultura familiar brasileira. Apenas recentemente, a expressão "agricultura familiar" vem se fortalecendo e obtendo legitimidade social e científica no Brasil, sendo objeto de discussão nas academias, nos órgãos estaduais e em movimento rurais de cunho social. 

As camadas mais desassistidas da produção familiar nas áreas rurais vivem quase que exclusivamente das atividades agrícolas e produzem por conta própria para o autoconsumo e não são remuneradas. Geralmente, as famílias têm um grande número de filhos e são caracterizadas pelas que mais migram para as médias e grandes cidades. 

Enquanto nos países capitalistas avançados, a produção agrícola é estimulada pelo trabalho familiar, no Brasil o que predomina é a agricultura patronal, ou seja, de um lado a agricultura moderna, altamente capitalizada, com tecnologias de ponta e fortemente empresarial. Do outro lado, persiste a agricultura sob os moldes tradicionais voltada para a subsistência familiar. 

No modelo patronal, a agricultura tem como principais características a organização centralizada, a ênfase na especialização, tecnologias redutoras de mão-de-obra e pesada dependência de insumos adquiridos comercialmente. 

Diferentemente, a agricultura familiar, possui um modelo onde privilegia a direção do processo produtivo pelos próprios proprietários, ênfase na durabilidade dos recursos naturais, utilização de insumos internos e geração de emprego e renda a baixo custo de investimento. 

Além disto, a agricultura familiar possui a capacidade de garantir o desenvolvimento do município e, ao mesmo tempo, o crescimento de todo o entorno sócio econômico, retendo a população em sua localidade, evitando o deslocamento para os grandes centros urbanos. 

A agricultura familiar representa 85% dos estabelecimentos rurais do Brasil e a região nordestina possui maior índice com 50% desse tipo de propriedade existentes no Brasil e 80% no nordeste com uma renda mensal equivalente a apenas 25% da renda mensal dos produtores familiares de outras regiões. Isto porque somente 50% dos produtores familiares conseguem produzir para vender. O restante mal produz o suficiente para sustento. 

Outros aspectos importantes a serem considerados na agricultura familiar estão relacionados ao fato que o gerenciamento da unidade produtiva e os investimentos realizados são feitos por indivíduos que mantêm entre si laços familiares ou de casamento sendo, portanto, os proprietários dos meios de produção. 

No Brasil presenciamos os agentes financeiros burocratizando, não informando com clareza e dificultando o acesso dos pequenos produtores ao crédito. Todavia, a agricultura familiar, se devidamente apoiada por políticas públicas e ancorada em iniciativas locais pode se transformar no grande potencializador de um desenvolvimento descentralizado e voltado para uma perspectiva de sustentabilidade. 

Um aspecto relevante que precisa ser elucidado refere-se à compreensão do que seja agricultor (a) familiar. Anteriormente, o que se denominava de "verdadeiro agricultor" consistia naquele profissional apto para encontrar na atividade agrícola a fonte da quase a totalidade da renda familiar. Excluíam os agricultores que, por motivos vários, são levados a desenvolver atividades não-agrícolas de caráter complementar. Desconsiderava, nesta conceituação, a própria natureza sazonal da atividade agrícola que ficava impossibilitada de aproveitamento da mão-de-obra familiar disponível. 

A sazonalidade agrícola pode dispensar de maneira parcial ou mesmo integralmente trabalhadores que poderão por força da sobrevivência exercer atividades econômicas não agrícolas sem que isso signifique, absolutamente, uma ameaça à continuidade da agricultura nem tão pouco a sua extinção. É necessário combinar em uma mesma unidade familiar, a agricultura e atividades não-agrícolas como um mecanismo das estratégias de reprodução social. 

Independentemente da sazonalidade, os produtores rurais podem periodicamente atender a uma oferta de emprego em atividades não agrícolas na região, dentro ou fora das propriedades, que possibilita melhores vantagens financeiras e condições de trabalho mais adequados para ampliar a capacidade de consumo de sua família sem, no entanto, descaracterizá-los de produtores rurais. 

Se o conceito de agricultor familiar restringir-se apenas àquele que aufere a renda familiar exclusivamente da atividade agrícola estaríamos excluindo as possibilidades de combinar a agricultura com outras fontes de renda que, em muitos casos, são indispensáveis à própria permanência da atividade agrícola e, portanto, fundamentais para reter a mão-de-obra no campo. 

Precisa-se ampliar o conceito de agricultor familiar levando em conta as potencialidades locais (da natureza, do mercado de trabalho e da cultura) incorporando também aqueles que combinam a agricultura com outras atividades. Em outras palavras, é necessário levar em conta a pluriatividade como uma condição para que a população permaneça no campo ao mesmo tempo em que as pequenas unidades produtivas que não conseguem, pelos mais diversos motivos, responder integralmente às demandas do mercado, sustentando-se exclusivamente na atividade agrícola, sejam viabilizadas. Apoiar à agricultura familiar na perspectiva do desenvolvimento local é imprescindível e tem que considerar os aspectos econômicos, sociais, ecológicos e culturais na busca de soluções não excludentes. 

A pluriatividade é então percebida como a emergência de situações sociais em que os indivíduos que compõem uma família que reside no meio rural dedicam-se às atividades econômicas e produtivas onde o trabalho agrícola encontra-se sempre incluído, podendo não ser, no entanto, uma atividade. exclusiva ou mesmo a atividade mais importante. Outras atividades podem ser assumidas com o objetivo de sustentar ou de dar suporte à unidade doméstica, podendo também ser motivadas por considerações não relacionadas à agricultura. 

Neste sentido, a questão agrária não se restringe à produção agropecuária, os sistemas produtivos, o comércio e as trocas agrícolas, os padrões tecnológicos, a estrutura fundiária, a inversão de capital. Atualmente, não se fala apenas da agricultura e da produção agrícola, mas do rural lato sensu. 

Isto não significa dizer que a agricultura como atividade produtiva tenha perdido seu destaque, nem tão pouco deixou de ser parte integrante do mundo rural. A leitura que está sendo feita é que além de contemplar a agricultura são levados em consideração outras dimensões igualmente importantes como a natureza, as famílias rurais, as. paisagens, o patrimônio cultural e as tradições. 

As propostas de apoio à agricultura familiar devem, inclusive, contemplar as atividades não-agrícolas, como por exemplo, a industrialização, a produção artesanal e o turismo rural, com grande potencial de geração de renda e ocupação. Estas atividades nem sempre são remuneradas com dinheiro, mas com permuta de trabalho e outros arranjos informais. 

A pluriatividade é a combinação de atividades agrícolas e não- agrícolas como forma de se garantir níveis de renda compatíveis, bem como a ocupação da força de trabalho familiar para garantir a reprodução das unidades familiares de produção. 

Cajucultura
De todas as culturas tradicionais da região semi-árida, especialmente, a norte-rio-grandense, o cultivo do cajueiro é o mais representativo para a economia agrícola. Teve grande impulso há três décadas, quando da expansão do mercado de castanha de caju provocou a plantação do cajueiro em extensas áreas. O aquecimento do mercado externo e interno fez surgir a agro-indústria de beneficiamento de castanha. 

A cajucultura é uma das poucas lavouras de mercado que sobrevive bem na região do semi-árido. Por se tratar de uma cultura com produção de sequeiro ela é perene, ou seja, tem a capacidade de sobreviver anos de seca. A cajucultura pode perder uma safra no período de estio e ter uma recuperação da produção no ano seguinte sem que se precise fazer novos plantios. 

Esta cultura é de relevante importância social e econômica para esta região com significativa participação na fixação do homem do campo. Contribui para a distribuição de riqueza gerada pela sua produção, assegurando geração de emprego, renda e melhoria da qualidade de vida dos produtores. A cajucultura possibilita, ainda, divisa para o estado, pois cerca de 80% da produção de castanha do Rio Grande do Norte é exportada. 

No Brasil, o plantio de caju utiliza uma área correspondente a 700 mil hectares, dos quais 210 mil estão improdutivos devido à avançada idade dos cajueiros. Para solucionar este problema são desenvolvidas técnicas de enxerto de copa (substituição da copa do cajueiro improdutivo por outra planta melhor geneticamente), poda das plantas e cultivo do cajueiro anão precoce.

A exportação de amêndoas movimenta em média 130 milhões de dólares anualmente constituindo em uma das principais fontes geradoras de divisas para alguns estados da região. Apesar deste montante, há uma queda no preço médio de exportação de aproximadamente 27% em relação à cotação internacional em virtude das indústrias brasileiras de beneficiamento da castanha serem bastante deficientes.

O principal problema da cultura do caju refere-se à baixa produtividade e qualidade da castanha em virtude do baixo índice tecnológico utilizado na cultura. Pesquisas apontam que se pode obter uma produção mais expressiva, chegando a 1.300 Kg/ha com inovações tecnológicas simples como substituição de copas e mudas enxertadas na implantação dos pomares e, na expansão de novas áreas favorecendo para os produtores uma maior competitividade nesta atividade.

A ausência de maiores estímulos poderá fazer com que a cajucultura passe a fazer companhia ao algodão, à mamona, à cera de carnaúba e a tantos outros produtos que saíram do cenário econômico do semi-árido nordestino. É necessário incentivar agriculturas com plantas adaptadas à região e tecnologias sintonizadas com o clima e o solo do semi-árido, além de incentivos financeiros para aplicação em atividades agropastoris. 

Deve ser estimulado o associativismo no que se refere à comercialização para o beneficiamento da castanha, tendo em vista garantir melhor lucratividade aos produtores vendendo diretamente aos atacadistas evitando, assim, intermediários. O plantio do cajueiro anão precoce enxertado e a renovação das copas dos cajueirais são tecnologias já testadas e devem ser introduzidas imediatamente para soerguer a cajucultura do semi-árido.

Estudos desenvolvidos por institutos de pesquisas agropecuárias vem demonstrando que, através de seleção genética, o cajueiro-anão precoce tem uma produtividade quase 600% maior que a variedade comum. Enquanto a média de colheita de castanha no Nordeste é de 220 quilos por hectare/ano, o caju anão produz 1,2 tonelada sem necessidade de irrigação.

Outra vantagem do caju anão é devido a sua produção iniciar no primeiro ano de vida, diferentemente da variedade silvestre que poderá levar até seis anos para começar a dar os primeiros frutos. A colheita e os cuidados no combate a pragas e doenças também são facilitadas devido ao tamanho, pois o caju anão tem apenas 3 metros de altura, enquanto o tradicional chega aos 20 metros. As mudas são clones perfeitos de uma mesma planta-mãe requerendo pouco investimento inicial para o seu cultivo.

Algumas medidas são necessárias para que a cultura do caju de fato seja de sustentabilidade no sertão nordestino. Para tanto, é imprescindível: a) Erradicar os cajueiros velhos e improdutivos, substituindo copas e/ou plantando clones de cajueiro anão precoce; b) Selecionar, acondicionar e processar castanha de caju utilizando associações e cooperativas; c) Realizar cursos de capacitação gerencial e tecnológica para os cajucultores em escala municipal; d) Utilizar de normas e procedimentos referentes a obtenção e concessão do Certificado de Produto Orgânico; e) Utilizar de técnicas modernas, já disponíveis no Estado como mudas originadas de clones com características genéticas comprovadas de precocidade e elevada produtividade; 

Apicultura
O semi-árido apresenta condições favoráveis à apicultura, principalmente no tipo denominado "orgânico", baseado em essências florestais e vegetação não contaminada por agrotóxico. 

Como o agricultor familiar, embasado em suas características peculiares é obrigado a diversificar sua produção para garantir, em alguns casos, o mínimo para sobreviver, a apicultura vem como um dos elementos da diversificação que garantir, de acordo com a forma desempenhada, um significativo complemento na renda da família. Neste caso, os agricultores não necessitam ter a apicultura como atividade exclusiva. 

A apicultura como estratégia de sobrevivência entre as outras atividades da propriedade de agricultura familiar, se traduz em vantagens, inclusive sobre outras criações em função das exigências e necessidades dessa criação para a produção eficiente: dispensa a compra de alimentos ou rações, exige pequenas áreas para a instalação. As instalações podem ser artesanais.

Outras vantagens estão relacionadas ao aumento da produtividade das colheitas através da polinização em massa; elevado preço da produção tanto no mercado externo quanto interno. Capacidade de consórcio da criação. Pequena utilização de mão de obra. Poucas horas trabalhadas por unidade de colméia (cerca de 8h/ano por unidade). Além destas vantagens econômicas diretas, podemos incluir ainda a importância ambiental.

Estudos sobre a cadeia produtiva da apicultura no nordeste dão conta de que o crescimento dessa atividade é impressionante. Na prática, os agricultores que antes priorizavam o feijão, o milho, o algodão e outras culturas dependentes de chuva, passaram a apostar mais na apicultura, o que fez com que essa atividade passasse de complementar a principal, em relação aos aspectos de geração de renda para famílias que vivem nesta região. 

De fato, a renda gerada pela apicultura é maior e mais segura do que a das outras culturas, tendo em vista o crescimento do mercado dos produtos orgânicos e os bons preços oferecidos aos produtos apícolas, devido às suas conhecidas propriedades alimentícias e terapêuticas. Além disso, é uma atividade agrícola com menor dependência das chuvas.

No caso da apicultura, períodos de estiagem em determinadas épocas do ano podem ser importantes aliados dessa atividade, porque favorecem o desabrochar das flores de importantes plantas melíferas, como o marmeleiro, a aroeira, o juazeiro e o cajueiro.

A rapidez e a magnitude do crescimento dessa atividade têm elevado significativamente a sua importância sócio-econômica, o que vem estimulando os governos estadual e federal a demonstrar preocupação em apoiar a atividade e seus integrantes, através de políticas públicas.

Além de servir como fonte de alimento na colméia, o mel é largamente utilizado pelo homem. Ele vem sendo usado há muito tempo como adoçante natural. Na culinária, pode substituir o açúcar, em bolos, pudins, cereais, pães e muitos outros.Rico em componentes nutritivos e terapêuticos, o mel apresenta minerais como cálcio, enxofre, ferro, cobre, cloro, sódio, fósforo e magnésio. Possui ação estimulante, digestiva e reconstituinte.

O mel é um dos poucos alimentos de ação antibactericida e de fácil digestão. É muito utilizado no tratamento das infecções das vias respiratórias, além de possuir ação eficaz no alivio de dores provenientes de queimaduras.

A Própolis consiste em uma substância resinosa colhida pelas abelhas de determinadas espécies de plantas que contêm o produto na casca, nas gemas que estão para florescer ou ainda em folhas verdes. O homem há muito tempo percebeu as qualidades terapêuticas da própolis, que têm sido estudadas e comprovadas por pesquisadores do mundo inteiro. 

Um excelente antibiótico natural, ela apresenta propriedades antibactericidas, cicatrizantes, antiinfecciosas, energéticas e regeneradoras de tecidos. Pode ser usada interna ou externamente, através de tinturas, pomadas, balas, sabonetes, xampu, ungüentos e xaropes.

O comércio do mel e produtos derivados do apiário pode ser local, nacional e internacional. O Japão, por exemplo, é um grande consumidor de própolis fabricado no Brasil. A própolis pode ser comercializada “in natura”, em extrato concentrado, mesclas de mel e própolis. E importante para o apicultor fazer parcerias com entrepostos e outros tipos de comércio como a indústria de cosmético e farmacêutica, para ter o escoamento do seu produto. Grandes redes de supermercados são também uma boa opção. O mel pode ser comercializado diretamente pelo produtor ou através de associações de classe. 

Artesanato
O artesanato é uma manifestação popular, onde a criação de objetos utilitários dispensa máquinas ou equipamentos sofisticados e modernos. Em outras palavras são realizados manualmente. As técnicas de artesanato são passadas de pai para filho, de geração em geração. Essas formas pouco a pouco são absorvidas popularmente, e se propaga principalmente nas áreas pobres e abundantes em matéria-prima. 

O artesão nordestino tem a capacidade de traduzir mediante sua arte, às vezes com uma extrema espontaneidade, mas rica, vibrante, criatividade e ousada, sua religiosidade, valores e tradições. 

O artesão nordestino tem a capacidade de traduzir mediante sua arte, às vezes com uma extrema espontaneidade e uma rica criatividade, sua religiosidade, valores e tradições. O artesanato é muito explorado na região semi-árida, em muitas comunidades desenvolvem peças artesanais a partir da palha da carnaúba como vassouras e o pó que são vendidos na própria comunidade, sede do município e região. O artesanato com palha da carnaubeira é ainda pouco difundido e pouco explorado nas comunidades, usando boa parte da palha para se fazer vassoura.

Estímulo à agroindústria
Estudos sobre a agricultura familiar demonstram que as agroindústrias podem ser uma excelente estratégia para o desenvolvimento agrário, especialmente quando os agricultores se apropriam do valor agregado. 

As indústrias agroalimentares de pequeno porte e descentralizadas, mesmo produzindo em escala reduzida, podem ocupar espaços vazios no mercado sem, todavia, competir com a grande indústria. Econômica e socialmente, a agroindústria é importante estratégia de desenvolvimento na medida em que provoca mudanças significativas, melhoria na qualidade de vida e organiza populações. 

Outro aspecto facilitador para a continuidade de pequenas estruturas de processamento está vinculado a produtos que atenda nichos de mercado. Daí a importância de considerar as condições locais, as potencial idades, a tradição e cultura, vantagens naturais e redes de comercialização alternativa, entre outros. 

Considera-se agroindústria a associação de agricultores que tem como finalidade o processamento de algum produto agropecuário produzido pelos mesmos utilizando tecnologias simplificadas, de pequeno porte, possuidora de um gerenciamento mais simples que as cooperativas tradicionais. 

De uma maneira em geral, as pequenas estruturas organizacionais, devido à proximidade com o agricultor, tendem a atender melhor e de maneira personalizada as demandas dos associados, diferentemente das grandes estruturas. 

Para que de fato isto possa ocorrer, é necessário haver um clima real de co-responsabilidade entre todos os associados para que o empreendimento tenha êxito. A co-responsabilidade está diretamente relacionada com o espírito associativista. 

Quando não existe a co-responsabilidade, inevitavelmente ocorre o descontentamento o que irá interferir diretamente na perda da qualidade do produto, que é uma forte exigência do mercado atual, além do desânimo e desmotivação. 

Fábrica de beneficiamento de astanha de caju
As mini-fábricas de processamento de castanha de caju podem proporcionar maior qualidade para o produto processado e são importantes fontes geradoras de empregos e renda. Elas constituem a alternativa para a diminuição dos problemas oriundos de quebra das amêndoas, evitam manchas, possibilitando a inserção de pequenos processadores no mercado de trabalho. 

As minifábricas, além de incrementar a renda do pequeno e médio produtor, pois possibilita agregar valor ao produto, reduzem a perda no processamento, diminuem a existência de intermediário, facilitam o transporte do produto e reduzem o êxqdo rural. 

A castanha muitas vezes é comercializada sem auferir bons lucros para o produtor em virtude, da grande maioria, ser realizada com os atravessadores locais. Necessário que o caju seja mais bem aproveitado nos diversos produtos de consumo, por exemplo, a produção de goma, doces, licor, mel e ração animal. Instalação de uma unidade de beneficiamento do caju, transformando-o em suco para contribuir na alimentação da escola é uma excelente alternativa. 

 

Criação de animais
Embora a região nordestina tenha forte potencial para a pecuária, ela ainda não despontou neste segmento devido a predominante tradição agrícola no semi-árido. Outros motivos vêm colaborar para a inexpressividade da pecuária como as políticas agropecuárias inadequadas, não considerando as particularidades regionais contribuindo para a diminuição da produção e rendimentos baixos e subutilizados. 

A política de crédito rural não é voltada para a produção familiar. Para os poucos recursos que chegam, os projetos são mal elaborados e mal acompanhados comprometendo a viabilidade econômica e comercial da pequena propriedade. 

Os animais servem, apenas, como fonte de renda complementar ou "dinheiro vivo" como el.es dizem ou usados como força matriz. Na busca da sobrevivência, esta população lança mão de técnicas rudimentares de agricultura e pecuária em uma área com poucos recursos. 

 

Criação de galinha caipira
O nome popular de galinha caipira, originário do tupi guarani decorre da maneira em que eram criadas, ou seja, soltas no campo e foram, originalmente, trazidas pelos portugueses durante o período de colonização. Os exemplares puros aos poucos sofreram um processo de degeneração com conseqüente perda de produção e produtividade. Existem mais de 120 raças de galinhas, todavia as galinhas caipiras não têm raça definida. Elas são resultantes da mistura de sangue entre as várias raças, de forma aleatória sem critérios técnicos, nem orientação zootécnica. 

Podemos, entretanto, observar sua existência em mais de 80% das propriedades rurais possibilitando uma melhor qualidade na alimentação das famílias e, algumas vezes, servindo como altemativa de sobrevivência. As gaiinhas caipiras apresentam muitas vantagens como maior resistência às doenças, rusticidade, baixo custo e fácil adaptação. 

Em termos qualitativos, o sabor da galinha caipira nunca poderá ser comparado com a da ave industrial isto porque a primeira como é criada no sistema extensivo (solta) demoram mais para engordar, ganham mais musculatura e fibras, aumentando a colagem da cartilagem provocando um sabor mais acentuado da carne e em maior proteína nos ovos. Sua carne também é mais saudável com baixo teor de gordura. 

Os animais servem como fonte de renda complementar ou "dinheiro vivo" como eles dizem ou usados como força matriz. Na busca da sobrevivência, esta população lança mão de técnicas rudimentares de agricultura e pecuária em uma área com poucos recursos. 

Todavia, no nordeste brasileiro as galinhas caipiras são criadas sem nenhum cuidado com a alimentação e sanidade, não havendo qualquer tipo de proteção. O ideal é que as galinhas caipiras têm realmente um certo grau de liberdade (diferentemente do sistema intensivo onde as aves não têm liberdade, permanecendo confinadas todo o tempo para conseguir alta produtividade). 

Neste sistema de criação ideal (semi-intensivo) as aves passam uma parte do dia podendo caminhar e ciscar em área livre do pasto, sendo recolhidas ao galinheiro durante a noite para protegê-Ias dos pedradores e do mau tempo. Neste sistema, as aves são alimentadas com ração balanceada dentro dos próprios aviários. Alimentos alternativos são também excelentes opções como capins, folhas verdes, feno de mandioca e leucena, insetos, minhocas, refugo de frutas, restos de culturas e colheitas, facilmente encontradas na propriedade a um baixo custo. 

 

Caprinocultura

A caprinocultura talvez seja a mais importante das alternativas para a região seca em virtude da sua adaptabilidade ao espaço semi-árido nordestino, ao meio fisico hostil, e pela sua expressiva participação na formação da renda familiar. A caprinoovinocultura, até recentemente, era relegada a segundo plano pelos criadores e caracterizava-se como atividade tipicamente subsidiária e complementar à bovinocultura. 

A região semi-árida é bem adequada à criação de cabras, possuindo vantagens sobre os bovinos. As constantes secas na região afetam com grande impacto <> rebanho bovino causando mortandade e elevado custo de nianutenção. Os caprinos, por serem mais resistentes, sobrevivem melhor a este período de estio, apresentando, também, maiores facilidades de comercialização e liquidez. 

As cabras são animais que podem ser criados em pequenas propriedades, adotando o regime de criação intensiva. No espaço fisico no qual se cria uma vaca, podem-se criar oito cabras. São animais dóceis e de fácil manejo, além de serem bastante resistentes às doenças. 

O caprino é extremamente resistente à seca, alimentando-se de ponta de galho desfolhado, casca de árvore, além de serem pouco exigentes de água. Todavia, a grande maioria destes animais é rústico, pouco produtivo em relação ao leite, suficiente apenas para o sustento de suas cnas. 

Das cabras se aproveita tudo ou quase tudo como a carne, o leite, o couro para as atividades de calçado, e o esterco. Apesar de pouco aproveitado e valorizado culturalmente, o leite de cabra tem excelente valor protéico o que deveria ser maior utilizado e incentivado devido aos elevados problemas de desnutrição da nossa região. Por ser de fácil digestão e absorção de suas propriedades pelo organismo pode ser aproveitado na fabricação de queijos e na merenda escolar. 

Atualmente os produtores pouco fazem para mudar a condição em que se situava a caprinocultura no século passado. O sistema de criação é ultra-extensivo, não emprega práticas de reprodução controlada e de vermifugação estratégica, não havendo, tampouco, vacinação sistemática dos seus animais. 

A grande maioria destes animais é criado em "chiqueiro", com quase nenhuma condição de higiene. Necessário que os produtores tenham conhecimento das medidas de manejo, nutrição e ainda de genética, através da introdução de uma raça com maior produtividade leiteira, que poderá ser mais benéfica ao pequeno produtor. Os especialistas afmnam que o aprisco rústico, ripado, de piso suspenso, age como um agente preventivo contra doenças de casco. 

A área de pastagem seria mais bem aproveitada se a metade dela possuísse um banco de proteínas, ou seja, leguminosas tais como: leucena, feijão guandu, siratro, cunhã, mucuna preta, etc, que atenda as necessidades de proteína dos animais em períodos críticos do ano. 

O Nordeste do Brasil possui um efetivo potencial da ordem de quase nove milhões de cabeças de caprinos, correspondendo, em termos percentuais, a 92% da caprinocultura brasileira e não atende a 20% da demanda mundial. 

Existem todas as condições para transformar a caprinocultura no principal meio de subsistência da região do semi-árido, além do fortalecimento da economia, necessitando de projetos bem elaborados, assistência técnica e créditos bancários acessíveis ao pequeno produtor. 

Deverá ser dado ênfase na capacitação e treinamento de produtores com prioridade para os aspectos de alimentação, sanidade, manejo, melhoramento animal e gerenciamento da exploração. O rebanho deverá ser melhorado mediante inseminação artificial, transferência de embriões, práticas de estação de monta, monta controlada, castração e/ou separação por sexo, substituindo gradativamente os plantéis (quantidade e qualidade) de modo a permitir o desenvolvimento auto-sustentável da ovinocaprinocultura. 

Outro aspecto importante é o aumento do emprego de rações com base nas disponibilidades locais de matéria prima: pedúnculo de caju, mandioca, algaroba e a ampliação do mercado institucional incluindo os produtos da caprino-ovinocultura na merenda escolar e no suprimento de hospitais. 

 

Piscicultura em cativeiro
A piscicultura é uma atividade recente no Brasil surgindo inicialmente no Nordeste em conseqüência da política de combate às secas, no contexto da denominada fase hidráulica de enfrentamento às estiagens. Segundo o Ministério da Agricultura o cultivo de peixe tem sido o segmento responsável pelo aumento da oferta mundial de pescado. 

Para que a atividade continue em crescimento deve-se avançar na qualidade e eficiência do manejo, a fim de incrementar a produtividade das criações. São muitas as vantagens do cultivo de peixes em cativeiro (gaiolas) tais como: menor investimento inicial quando comparado à construção de viveiros e; possibilita o aproveitamento de reservatórios já existentes, onde a piscicultura tradicional seria impossível; permite o cultivo de diferentes espécies no mesmo corpo d'água sem misturar os estoques; assegura maior controle do estoque e melhor observação dos peixes em relação ao cultivo em viveiros; reduz a incidência de mau sabor nos peixes; e controle de desova indesejáveis, no caso de tilápias. 

 

 

Parte 1, 2, 3, 4, 5


últimas alterações: 2004-09-22



Clique a foto para ampliar

Centro de Beneficiamento da Castanha de Caju de Mirandas/RN

uma obra de Sustentabilidade Econômica do PROASNE

O PROASNE investiu na formação profissional dos Cajucultores e Apicultores de Caraúbas como elemento estratégico para  realçar suas habilidades produtivas, transformando-os em profissionais  capacitados a funcionar vantajosamente dentro de um contexto de desenvolvimento sustentável.