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Projeto Água Subterrânea no
Nordeste do Brasil
Atividades Técnicas.
As
atividades técnicas realizadas dentro do PROASNE têm como alvo principal
de realçar a capacidade das instituições brasileiras na área de
exploração e de gerência da água subterrânea. O objetivo subjacente
é de introduzir e adaptar tecnologias e métodos que melhorarão o acesso
à água potável e assegurarão a sustentabilidade a longo prazo das
comunidades rurais, especialmente em períodos de seca.
De
modo geral, a tecnologia é transferida por empresas e consultores
canadenses especializados às instituições federais e estaduais
encarregados da gestão dos recursos hídricos, e às universidades do
Nordeste do Brasil. Uma dúzia de firmas canadenses e umas 15
instituições brasileiras tomaram parte no programa. O governo canadense,
através do Serviço Geológico do Canada do Ministério dos Recursos
Naturais, está envolvido sobretudo na gerência do projeto e desempenha
um papel de coordenação, embora tenha fornecido perícia técnica em
algumas ocasiões. A transferência de tecnologia é feita de várias
maneiras incluindo oficinas, seminários e cursos de curta duração no
Brasil, visitas técnicas e treinamento no Canadá, e realizando projetos
conjuntos à escala piloto. O seguinte é um sumário breve de cada uma
das áreas técnicas que fizeram parte do projeto até hoje (agosto 2003).
Geofísica Terrestre (Método Electromagnético - EM): A
primeira atividade de transferência de tecnologia do projeto foi em junho
2000, com um programa de treinamento de três semanas em geofísica
terrestre, método eletromagnético, dado pela firma de consultores
canadense, Komex International Ltd. O programa incluiu um workshop na
cidade de Natal, Rio Grande do Norte, e trabalho de campo nos três
estados participantes. Os objetivos principais dessa missão eram: (1)
melhorar a capacidade das instituições locais em utilizar o método
eletromagnético (Em-34) para investigar os fatores que afetam o
abastecimento de água subterrânea (por exemplo, localização dos
aquíferos, a qualidade da água, etc..) em várias áreas dos estados
participantes; (2) ajudar a selecionar uma área piloto em cada estado
onde se faria os levantamentos EM aéreos para testar o método como
ferramenta de mapeamento de águas subterrâneas, e para organizar a
coleção dos dados terrestres que deviam servir para interpretar os dados
dos levantamentos aéreos; e (3) para ajudar no planejamento da componente
geofísica do PROASNE, recomendando atividades adicionais em que a
tecnologia e especialistas canadenses poderiam contribuir. As
técnicas eletromagnéticas terrestres foram usadas subseqüentemente
pelas equipes brasileiras para efetuar "follow-up" dos
resultados aerogeofísicos. O link "Geofísica
Terrestre" dá acesso a vários relatórios em inglês e em
português, e fotos desta
missão.
Levantamentos
Aerogeofísicos: Um
dos objetivos iniciais do projeto era identificar, adaptar, testar e
recomendar técnicas para melhorar o grau de sucesso na perfuração
poços de água produtivos nas rochas cristalinas do semi-árido, que
caracterizam aproximadamente 80% da região nordestina, ou seja, à volta
de 800,000 km2. Os resultados obtidos em três levantamentos
eletromagnetométricos (domínio da freqüência) por helicóptero (HEM)
à escala piloto, voados em 2001 pela companhia Fugro Airborne Surveys
Ltd., mostram que a técnica tem a potencialidade de localizar fraturas
com água nesta região, e fornecer assim um método confiável de
localizar poços.
A água subterrânea que se encontra no cristalino é um pouco
salina e, conseqüentemente, ela se comporta como condutor num campo
eletromagnético induzido. Um
dos mais importantes impactos previstos na utilização da geofísica
aérea para a exploração de água subterrânea no Nordeste do Brasil é
que esta metodologia venha a encorajar a exploração de água
subterrânea em toda a região, não somente próximo às comunidades como
é o caso atual. Este procedimento deve aumentar de forma significativa a
quantidade de recursos hídricos disponíveis na região. Fica evidente
que tal expansão em área a ser desenvolvida vai requerer uma nova
postura para a gestão da água, incluindo para trazer a água de locais
mais distantes, freqüentemente sem energia elétrica, para os locais de
consumo. Para este caso, o PROASNE está promovendo um uso mais
amplo de energia solar para bombear e dessalinizar água
(vide Energia Solar e Gestão da Água Subterrânea, abaixo).
O
link "Levantamentos aerogeofísicos" dá
acesso a alguns resultados interessantes dos levantamentos aéreos. O relatório
final da Fugro Airborne Surveys Ltd. em formato pdf (7,8 mb) e um sumário,
estão também disponíveis neste site.
Hidrogeologia:
Esta atividade foi elaborada na maior parte pelos parceiros brasileiros do
PROASNE e faz parte do Programa de Águas
Subterrânea para o Semi-Árido (2000-2003) da CPRM. Neste trabalho,
muita ênfase está sendo colocado no cadastramento dos poços e na
caracterização das águas. Projetos de mapeamento e de pesquisa
hidrogeológicas também estão sendo realizados pelos parceiros
brasileiros, alguns para apoiar as atividades do PROASNE nas áreas
piloto. Os canadenses não tomaram parte diretamente no cadastramento e
nas atividades de mapeamento e de pesquisa, mas estão contribuindo
indiretamente com o desenvolvimento de ferramentas que ajudarão os
brasileiros nestas atividades. O desenvolvimento do sistema da base de
dados SIAGAS, a capacitação do pessoal em sensoriamento remoto e GIS, e
o projeto de modelamento matemático do aqüífero Açu são várias
atividades que estão sendo desenvolvidas pelo PROASNE e que
ajudarão indiretamente os parceiros brasileiros nas suas atividades
de hidrogeologia. O link "Hidrogeologia"
dá acesso a exemplos de trabalhos individuais nesta área.
Energia
Solar: A
empresa canadense Sunmotor Internacional Inc. de Calgary, Canadá, foi
contratada para adaptar seus motores de corrente contínua a uma linha das
bombas submersíveis brasileiras, manufaturadas pela Dancor de Rio de
Janeiro, tornando-as altamente eficientes com energia gerada por painéis
fotovoltaicos. Esta combinação de motor/bomba permitirá bombeamento
sobre distâncias grandes com exigências de energia relativamente baixas.
Uma outra combinação altamente eficiente de motor/bomba, desenvolvida
pela Sunmotor, pode ser usada para operar equipamento de osmose inversa
para dessalinisação usando energia solar. Uma estação experimental
para demonstrar estas tecnologias foi construída na pequena comunidade
rural de Livramento no estado de Ceará. A estação foi inaugurada
em novembro 2001 pelo presidente da CIDA, Len Good e foi posteriormente visitada pela ministra canadense para a Cooperação
Internacional, Susan Whelan, em março 2002. A estação, que serve
atualmente a abastecer umas 22 famílias, está atraindo muita atenção
no Nordeste porque, das centenas de dessalinisadores atualmente instalados
no Nordeste, este é o único que está funcionando com energia
solar. O link "Energia Solar"
dá acesso aos relatórios da Sunmotor (em inglês) e various artigos
sobre a estação experimental.
Sensoriamento
Remoto e GIS: O PROASNE está transferindo
tecnologia em sensoriamente remoto e em GIS, particularmente no uso de
Radarsat como ferramenta de mapeamento e de desenvolvimento dos recursos
hídricos subterrâneos. Dois técnicos brasileiros da universidade do Rio
Grande do Norte (UFRN) foram treinados em 2001 pela empresa canadense
Infotierra de Sherbrooke. Os especialistas em sensoriamento remoto do GSC
e da Infotierra se juntaram aos geofísicos da FUGRO de Toronto e da LASA
do Rio de Janeiro para apresentar um workshop em abril 2002 em Natal, RN,
sobre métodos de sensoriamento remoto e aerogeofísica aplicados à
exploração e gerência das águas subterrâneas no Nordeste. Está
previsto mais uma sessão de trainamento com técnicos da CPRM em Recife e
Fortaleza em novembro e dezembro 2003 para aperfeiçoar os métodos de
analise espectral e de geoestatistica aplicadas à exploração de água
subterrânea em meio fissural. O link "Sensoriamento
Remoto e GIS" dá acesso à proposta de teinamente da UFRN e aos
relatórios da firma canadense Infotierra (em inglês).
Modelamento
Matemático: Na
região do Polígono das Secas o subsolo cristalino corresponde a 70% da
área, enquanto os depósitos sedimentares ocupam apenas 30%. Estes
depósitos sedimentares sendo mais porosos que as rochas cristalinas,
abrigam importantes reservas de água de boa qualidade, mas em vários
locais, eles são super explotados e mal geridos por falta de informação
técnica acerca do seu potencial hídrico e vulnerabilidade. Numa
tentativa de melhorar a gerência das águas de um dos mais importantes
reservatórios sedimentares da região, o aqüífero Açu no Rio Grande do
Norte, a empresa canadense Waterloo Hydrogeologic Inc. (WHI) foi
contratada para modelar o aqüífero a fim de desenvolver uma estratégia
de exploração sustentável de suas águas subterrâneas. Este projeto
foi desenvolvido em colaboração com a CAERN, a SERHID e a UFRN. O
trabalho incluiu um programa de treinamento de 10 semanas no Canadá para
dois técnicos brasileiros. O relatório final mostra que o aqüífero
não está em perigo ao nível atual da exploração, e poderia até
sustentar uma produção muito mais elevada. Este conhecimento permitirá
às autoridades de tomar vantagem dos recursos disponíveis que trará
indubitavelmente benefícios econômicos à região. O link "Modelamento
Matemático" dá acesso à proposta e relatórios da Waterloo
Hydrogeologic.
Sistema de informação nacional de águas subterrâneas (Novo
SIAGAS): A gerência dos recursos hídricos
do Nordeste, e do Brasil inteiro, está prejudicada pelo fato que há
grande diversidade de organismos governamentais e outros particulares que
coletam dados de poços e de qualidade de água, mas os dados contidos nos
bancos digitais de uma instituição são raramente acessíveis ou
transferíveis à outra, devido aos formatos não padronizados das várias
bases de dados. A empresa canadense Waterloo Hydrogeologic Inc. (WHI) foi
contratada para desenvolver padrões e uma interface digital que será
facilmente acessível, amigável, funcionando através da Internet, para
entrar, armazenar e recuperar dados, bem
como que permitirá amalgamar bases de dados existentes e a entrada de
dados novos à medida que forem produzidos.
A interface será desenvolvida sobre a base de dados SIAGAS da
CPRM, realçada com uma variedade de ferramentas de visualização, de
procura e de interpretação, acessíveis através da Internet. Quando
este produto estiver concluído, o Brasil terá um sistema avançado de
gerenciamento de dados hídricos comparável aos melhores no mundo. O
plano de trabalho foi desenvolvido em 2001 e o produto final estará
disponível em 2003. O link "Sistema
de informação SIAGAS" dá acesso a detalhes sobre o produto que está
sendo desenvolvido e um link ao site SIAGAS da CPRM.

últimas
alterações:
2005-04-19 |

Clique o mapa para ampliar e obter mais informações.
Aerogeofísica
e a Gestão da Água Subterrânea no
Semi-Árido
As fraturas
que contêm água subterrânea ligeiramente salobra aparecem como
lineamentos no mapa aerogeofísico da região de Juá, Ceará. É
possível que esta técnica seja uma solução viável à carência de
água no Nordeste do Brasil.
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